À tarde, António Costa disse que “é o tempo da Justiça” no caso de Tancos e convidou Rui Rio a “voltar à campanha eleitoral”. Mas à noite, o autarca de Caminha, Miguel Alves, que é próximo do líder socialista, voltou a puxar a polémica para a campanha, e fez um ataque feroz a Rui Rio. Foi precisamente em “casa” de Rio que o PS começou mais um dia de campanha eleitoral, nesta sexta-feira, com a tradicional arruada na Rua de Santa Catarina. O secretário-geral socialista foi recebido de forma calorosa, num passeio onde reinou o aparato e a confusão. A noite foi passada no Alto Minho, em Viana do Castelo, onde a estrela foi “Tiaguinho”, o ministro da Educação e cabeça de lista do distrito, "que aguenta tudo o que Maomé não aguentou".

Quanto ao Dr. Rui Rio, já lhe disse ontem o que tinha a dizer. Quanto ao mais, convido o Dr. Rui Rio a voltar à campanha eleitoral, respondendo aos portugueses sobre o que é que ele pretende fazer nos próximos quatro anos."

Foi desta forma que Costa reagiu às palavras de Rio, depois de o líder do PSD ter afirmado que o secretário-geral socialista gostaria era "que ninguém falasse sobre Tancos e isso passasse despercebido". Costa rejeitou dar mais esclarecimentos que aqueles que deu à comissão parlamentar e, em declarações feitas aos jornalistas à tarde, reiterou que agora “é o tempo da Justiça”.

Mas à noite, Tancos voltou à cena e de forma feroz. Não pela voz de António Costa, mas pela voz de alguém que lhe é próximo: Miguel Alves, o presidente da Câmara de Caminha, voltou a puxar a polémica para a campanha, num comício em Viana do Castelo. O autarca não poupou nas palavras e acusou o líder do PSD de ter feito um “ataque de caráter sem precedentes” contra Costa.

Ainda segunda-feira ouvíamos Rui Rio dizer que não contássemos com ele para julgamentos em praça pública e que o que interessava apenas na Justiça era uma sentença que transitasse em julgado. Mas dois dias depois, ainda com a mesma lLa, o líder do PSD agarrou uma oportunidade com as duas mãos para subir um ou dois pontos percentuais”, afirmou, com a plateia a reagir em concordância.

E prosseguiu com as duras críticas, afirmando que se “Rui Rio não teve vida fácil lá no partido deles, isso é lá com eles”, mas que "o PS não aceita julgamentos".

António Costa não precisa de lições de ninguém sobre como encarar estes casos", acrescentou.

O presidente da Câmara de Caminha reconheceu que o caso de Tancos é “um momento difícil” a “envolver o secretário-geral socialista”, mas sublinhou que, mesmo assim, “quando o momento podia pulsar mais forte do que a razão”, Costa manteve a postura de dizer “ao que é da Justiça o que é da Justiça”.

 

Porto parou para ver Costa e nem Rosa Mota fez acelerar o passo

Costa começou este dia de campanha em casa do adversário, que é como quem diz no Porto, a cidade na qual Rio foi presidente da Câmara durante três mandatos. E no Porto que já foi de Rio, Costa foi entusiasticamente recebido. A rua de Santa Catarina foi pequena para o aparato e para a confusão que se gerou à passagem da caravana socialista, com muitos encontrões e empurrões à mistura.

O relógio já passava das 18:00 - uma hora depois do previsto - e o sol já ia baixo, quando o líder do PS começou a percorrer esta rua emblemática do coração da Invicta, partindo da Praça da Batalha, acompanhado de importantes figuras do partido como Carlos César, João Matos Fernandes, Alexandre Quintanilha, o cabeça de lista pelo Porto, José Magalhães e os eurodeputados Isabel Santos e Manuel Pizarro.

A atleta Rosa Mota também foi demonstrar o seu apoio, mas nem por isso a passada se fez a maior velocidade. O passeio, que durou cerca de uma hora, foi lento e com muitas paragens. Houve de tudo um pouco: Costa distribuiu cumprimentos, entrou em lojas, falou com artistas de rua e até foi recebido com uma chuva de confetis à passagem por uma sede do partido.

A missão parecia difícil, mas muitos fizeram questão de furar o bloco de jornalistas e militantes para cumprimentar o líder socialista.

“Gostei tanto de falar com aquele senhor”, exclamou ao nosso lado um popular que conseguiu chegar junto de Costa para o elogiar e dar-lhe força.

Os muitos turistas que se encontravam no local assistiam à cena com curiosidade. Alguns faziam questão de averiguar o que é que afinal se estava a passar.

No final, já junto à Capela de Santa Catarina, numa espécie de mini-palco improvisado, o secretário-geral do PS deixou umas palavras à multidão que o recebeu calorosamente, apelando ao voto.

 

Costa quer fazer a maratona, mas ainda vai nos 21 quilómetros

À noite, os socialistas rumaram ao Alto Minho para um comício em Viana de Castelo, onde o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, é cabeça de lista.

O trabalho de “Tiaguinho”, como foi tratado por Miguel Alves, esteve no centro dos elogios das intervenções da noite, com o autarca de Caminha a afirmar que o governante "aguentou o que Maomé não aguentou de outros" e com Costa a reiterar que o ministro sempre se bateu pelos problemas da região.

Perante algumas centenas de apoiantes que se reuniram na Praça da República, numa noite fria à moda de Viana, Tiago Brandão Rodrigues afirmou que “esta semana é absolutamente decisiva” e que, apesar das sondagens favoráveis, o PS não pode "tomar as coisas como adquiridas". Por isso, apelou ao voto.

Esta semana é absolutamente decisiva. Não podemos tomar as coisas como adquiridas. Não podemos pôr em causa o que conquistamos. Se não formos votar, se não levarmos os nossos companheiros de aventura e de dia a dia, muita gente levará”, frisou.

Depois, foi a vez de Costa aproveitar a presença da mandatária distrital, a atleta Manuela Machado, para dizer que “a vida política é também uma longa maratona, é tão longa que combina com a estafeta”. “Estamos nos 21 quilómetros que iniciámos há quatro anos”, acrescentou.

E como o PS ainda está a meio da prova, o líder socialista também apelou aos apoiantes para que se dirijam às urnas no dia 6 de outubro, lembrando uma vez mais que é lá que as eleições se ganham, e não nas sondagens.

Depois de Porto e Viana do Castelo, a campanha do PS segue este sábado para o distrito de Braga.

Sofia Santana