Os socialistas não querem transformar Viseu no “Costaquistão”, mas querem “enterrar de vez o Cavaquistão”. Num comício que encheu uma praça do centro de Viseu, esta quarta-feira à noite, o histórico socialista Jorge Coelho, natural desta cidade, declarou que se sentiu “insultado” quando Rui Rio disse que queria voltar a transformar o distrito no "Cavaquistão". Antes, António Borges, o presidente da Federação Distrital de Viseu, afirmou que essa palavra, que remonta aos governos de Cavaco Silva, é um "estigma que tem diminuído aos olhos do país a imagem" do distrito.

Não nos chamem nomes, nós somos viseenses. Aqui não há Cavaquistão nenhum!”, frisou Jorge Coelho.

Numa intervenção muito aplaudida pelos apoiantes, Jorge Coelho sublinhou que os portugueses têm “memória” e sabem o que essa ideia de “Cavaquistão” significa para a vida das pessoas.

Nós não nos esquecemos do que foi o passado, do que foi esse tempo que não queremos voltar a viver”, sublinhou.

Já antes, António Borges, o presidente da Federação Distrital, tinha afirmado que “o Cavaquistão é um estigma negativo que prejudica o distrito de Viseu”. O socialista disse que o partido não quer transformar o distrito no “Costaquistão”, “até porque António Costa não ia deixar”, mas que quer “enterrar de vez o Cavaquistão”

A forma de acabar com esse estigma que tem diminuído aos olhos de país a imagem de um distrito como o nosso é votar no PS e enterrar de vez o Cavaquistão."

A noite fria que se ergueu na cidade contrastou com a boa moldura humana deste comício: segundo o cabeça de lista pelo distrito, João Azevedo, estiveram cerca de 3.000 pessoas no Largo do Rossio, no coração de Viseu, esta quarta-feira. E foi mesmo a propósito desta "noite magnífica", que surgiu um apelo: depois de Carlos César ter pedido uma "maioria de valor reforçado", Jorge Coelho veio agora pedir "um domínio magnifico" do PS nas próximas eleições.

O antigo ministro socialista foi duro nas críticas a Rio, acusando-o mesmo de “arrogância”, depois de, em Lamego, e “confrontado com o facto de não ter ninguém à sua espera”, o presidente do PSD ter afirmado que as pessoas se calhar não apareceram porque achavam que quem ia era Costa. "Pense lá um bocadinho, se calhar não foram porque era mesmo o Dr. Rui Rio. Há essa hipótese”, acrescentou.

O histórico do PS também criticou quem tem discutido "autênticos fait-divers" nesta campanha, que "não interessam para nada às vidas" das pessoas.

Quando vejo na campanha muitas das pessoas a discutir questões que são autênticos fait-divers, que não interessam para nada às vossas vidas, às dos vossos filhos (…) fico triste", sublinhou.

Para Coelho são "fait-divers", para Costa são matérias da "bolha mediática" e não "os problemas reais, das pessoas efetivas, que vão votar" e decidir o futuro do país no próximo domingo.

No interior pela primeira vez desde que arrancou o período oficial da campanha, o líder do PS fez questão de assinalar que "não há nenhuma fatalidade que condene estes territórios ao despovoamento".

"Uma das maiores desigualdades é a desigualdade entre territórios, a desigualdade que separa litoral e interior. Mas não há nenhuma fatalidade que condene estes territórios ao despovoamento", sublinhou, para depois destacar as características da região, como o "vinho de excelência", as "atividades económicas de grande importância" e "o património paisagístico e natural".

O secretário-geral socialista reiterou ainda que o PS quer tornar o interior "não um problema, mas pelo contrário, um grande contributo para Portugal".

Tornar o nosso interior não um problema, mas pelo contrário um grande contributo para Portugal, para podermos ser mais prósperos em todo o território nacional", vincou.

Discursando num distrito que este ano elege menos um deputado - por ter perdido população -, Costa trouxe a história de uma comerciante, "a dona Fernanda, da drogaria da Rua Direita", que o secretário-geral socialista conheceu há quatro anos, em campanha, e que lhe disse que não ia votar no PS com medo de que o país voltasse para trás e viesse uma nova crise. O contexto serviu para o líder do PS afirmar que, hoje, pode dizer "às donas Fernandas" que não votaram no seu partido que não houve mais nenhuma crise e que o seu Governo devolveu os salários cortados, as pensões cortadas, baixou o IRS e reduziu o défice.