O primeiro-ministro entende que maiorias absolutas em Portugal só acontecem em "circunstâncias muito excecionais" e garante que nunca fará "chantagem aos portugueses a dizer ‘só governo nesta ou naquela condição’”, em entrevista à Rádio Renascença, no espaço do programa "As Três da Manhã".

No balanço da legislatura prestes a chegar ao fim, Costa diz que "correu bem". Desafiado a atribuir uma nota à chamada "geringonça", o primeiro-ministro atribui nota "bom".

"Acho que foi bom e acho que superou generalizadamente as expectativas de muitos e os receios de alguns", disse Costa, acrescentando que "em algumas matérias foi excelente, mas ninguém é bom juiz de si próprio".

"Conseguimos cumprir tudo o que ficou acordado nas posições conjuntas assinadas pelo Partido Socialista com o Bloco de Esquerda, com o Partido Comunista e com Os Verdes", afirmou o chefe do Governo garantindo que a coligação esgotou-se nesta legislatura, mas pode ser renovada na seguinte: "Era um acordo para esta legislatura e com medidas para esta legislatura. Uma nova legislatura terá seguramente novas medidas."

Costa sublinha ainda que "este ano, os portugueses pagaram menos mil milhões de euros de IRS do que teriam pago com os meus rendimentos em 2015" e que, se for reeleito, a "trajetória de redução dos impostos sobre o trabalho vai seguramente prosseguir".

O primeiro-ministro reconheceu que os salários "têm de subir, tanto no público como no privado", mas garantiu que o futuro Governo não vai por em causa as contas públicas.

Azeredo Lopes "não cometeu qualquer ilegalidade"

Outro dos temas abordados na entrevista à Rádio Renascença foi a questão do furto das armas de Tancos. António Costa reiterou total confiança no ex-ministro da Defesa.

Não tenho a menor das dúvidas que o professor Azeredo Lopes não cometeu qualquer ilegalidade ou qualquer tipo de crime, mas não sou eu que me compete julgar, confio no sistema de justiça e tenho tido sempre a mesma regra: à justiça o que é de justiça, à política o que é da política. A minha solidariedade pessoal com ele total, a minha confiança política total", disse Costa.

Azeredo Lopes foi constituído arguido no processo de Tancos e foi presente a um juiz de instrução criminal suspeito de co-autoria dos crimes de denegação de justiça e de prevaricação.