O deputado socialista Hugo Pires é o novo coordenador do grupo de trabalho parlamentar sobre a habitação, reabilitação urbana e políticas de cidades, substituindo Helena Roseta que se demitiu na terça-feira, disse à Lusa fonte do grupo.

Helena Roseta, até agora coordenadora do grupo de trabalho parlamentar sobre a habitação, demitiu-se na terça-feira do cargo depois de as votações indiciárias sobre as novas regras da habitação terem sido adiadas pela terceira vez, a pedido do PS.

Os socialistas pediram o adiamento, alegando que se trata de uma matéria muito complexa, parte da qual já tem implicações na proposta de Orçamento do Estado apresentado pelo Governo, e propõe que as votações sejam retomadas na primeira semana de dezembro, a tempo de entrarem em vigor no início do próximo ano como previsto.

Por discordar da posição do partido, a deputada independente eleita pelo Partido Socialista, Helena Roseta, demitiu-se da coordenação do grupo de trabalho parlamentar da Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidades.

Além de Hugo Pires vão integrar ainda o grupo de trabalho os deputados Nuno Sá e Luís Vilhena, adiantou à Lusa a mesma fonte.

Hugo Pires é arquiteto de profissão, tendo sido eleito pelo círculo eleitoral de Braga. O deputado, de 39 anos, pertence às comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas, à de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação e ainda à dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, como suplente.

Alegre solidário com razões da demissão de Helena Roseta 

O dirigente "histórico" socialista Manuel Alegre manifestou-se "solidário" com os motivos invocados pela deputada Helena Roseta para se demitir de coordenadora do grupo de trabalho parlamentar sobre habitação e criticou a falta de negociação à esquerda.

"Penso que Helena Roseta adotou uma atitude decente e quero manifestar-lhe a minha solidariedade", declarou à agência Lusa Manuel Alegre, elogiando o trabalho que tem sido desenvolvido pela deputada independente socialista e arquiteta no setor da habitação.

Manuel Alegre afirmou também encarar com "estranheza" não ter existido neste grupo de trabalho "suficiente negociação", sobretudo entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP.

"Numa questão tão importante como a habitação, principalmente para os mais jovens, era essencial que os partidos à esquerda fizessem uma negociação mais aprofundada, mas isso não aconteceu. É uma lacuna. Não compreendo", salientou o ex-conselheiro de Estado e ex-candidato presidencial nas eleições de 2006 e 2011.

Para resolver o atual impasse na aprovação de nova legislação para o setor da habitação, Manuel Alegre admitiu que "seria importante uma intervenção direta do primeiro-ministro", António Costa, ao nível negocial.

"Uma intervenção do primeiro-ministro é sempre importante. Espero que se encontre rapidamente uma solução", acrescentou.