Nuno Melo anunciou este sábado a sua candidatura à liderança do CDS-PP, com o lema "Tempo de Construir".

O anúncio acontece um dia antes do Conselho Nacional que vai avaliar os resultados autárquicos e marcar o próximo congresso.

Nuno Melo, eurodeputado do CDS-PP e líder da distrital de Braga, candidata-se à presidência do partido “por um imperativo de consciência”.

Sou candidato à presidência do CDS-PP. Começa aqui hoje uma caminhada com que venceremos todos os novos cercos que querem fazer com que o CDS deixe de ser um dos partidos mais relevantes da democracia portuguesa", anunciou.

"Se há certeza que tenho é que não consigo assistir, quedo e mudo, à perda de relevância do CDS na democracia em Portugal. O CDS tem de voltar a ser um espaço onde se quer ir, onde ser quer ficar e não se quer sair. Exatamente o oposto do que tem acontecido nos últimos tempos. É tempo de construir", disse.

Numa comunicação, no Palácio da Bolsa no Porto, Nuno Melo lembrou que o CDS já foi "um partido credível" e com "pessoas competentes" nas mais diversas áreas. "Foram tantos os rostos credíveis que o CDS deu a Portugal e que nos ajudaram a crescer", disse. "E cada grupo parlamentar do CDS era invariavelmente alavancado pela qualidade dos deputados e estimado como instrumento de acção política fundamental do CDS " - algo que Nuno Melo promete que vai recuperar se chegar à liderança do partido. 

"Esse friso de credibilidade" do partido quase desapareceu. "Desinvestindo nos melhores quadros, não sendo nítido nas causas políticas, o CDS perderá necessariamente expressão nas urnas. E o CDS tem de ser capaz de chamar a si de novo as pessoas mais competentes", sejam militantes ou independentes, sejam homens ou mulheres. E Nuno Melo fez também um compromisso por lutar por mais diversidade e representatividade nos órgãos do partido e no país - sem recorrer a quotas mas usando como critério o mérito.

No final do mês de outubro, a candidatura de Nuno Melo irá promover uma "convenção programática" que reunirá em cenário virtual 150 personalidades, "reconhecidas pelo mérito", irão abordar 15 áreas programáticas. Daqui sairá a base da moção estratégica global que Nuno Melo irá levar ao 20º Congresso, reafirmando que não quer que a liderança do CDS seja "de um homem só": "Será uma liderança acompanhada".

"O CDS tem de se unir, tem de ter paz dentro para ser forte para fora", acrescentou, sublinhando que este é um partido para os democrata-cristãos, para os conservadores e para os liberais. "Sem fraturas nem divisões." Sendo "um partido da direita clássica", o CDS "quer existir dentro do sistema democrático, procurando melhorá-lo e não contra o sistema democrático, apostado em destruí-lo".

Nuno Melo quer, portanto, que o CDS seja um partido com memória mas ao mesmo tempo "moderna, cosmopolita, atual e útil". 

Se houvesse eleições hoje, o CDS teria "um resultado penoso"

“tá o CDS em condições de ter um bom resultado em eleições legislativas se decidir concorrer sozinho? Todos sabemos que não. Está o CDS em condições de fazer uma negociação digna e representativa com o PSD se for esse o cenário que se colocará nas eleições legislativas? Evidentemente que também não. A atual liderança do CDS será capaz de conter e reduzir o crescimento de novos partidos – como o Chega e a Iniciativa Liberal – pondo em risco a nossa relevância como partido na democracia portuguesa? Aqui a resposta também é clara: não!”, afirmou Nuno Melo.

Para o ex-vice-presidente centrista, “neste momento o eleitorado percebe melhor o que querem e o que defende o Chega e a Iniciativa Liberal e sabe pouco o que defende e quer o CDS”.

Por outro lado, se as eleições legislativas fossem hoje, o resultado do partido “seria previsivelmente penoso, como penoso será daqui a dois anos, se nada for feito para mudar”.

Já no que toca a eventuais negociações com o PSD, considerou, “a desproporção de forças ficou significativamente maior desde as eleições autárquicas e que o CDS deliberadamente apagou em excesso a sua marca”.

Decidido a “dar aos militantes a oportunidade de mudar esta fraqueza”, após dois anos do partido “a falar para dentro”, Nuno Melo defende que “o CDS tem de esforçar-se por conseguir adesões” e “sarar feridas”, “tem de renegar qualquer resquício de tentação sectária”, “tem de voltar a ter estruturas ativas” e “não pode coligar-se com o PSD à segunda e negociar orçamentos do Estado com o PS na quinta-feira”.

"A democraticidade interna do partido está a ser torturada"

O candidato à liderança do CDS-PP afirmou que “a democraticidade interna do partido está a ser torturada” pela atual direção com a sua tentativa para antecipar o congresso, garantindo que tal apenas aumenta a sua “determinação”.

Qualquer disputa para um congresso implica lealdade, igualdade de armas, sentido de todos os valores democráticos de que não estamos disponíveis para abdicar, em nenhuma circunstância”, sustentou.

Afirmando perceber “agora que os prazos previstos no regimento do Conselho Nacional que vai agendar o próximo congresso tenham sido violados e todos os documentos necessários a uma decisão ponderada tenham sido guardados numa gaveta até ontem [sexta-feira]” e perceber “agora que haja quem queira antecipar um congresso” para o impedir de “percorrer o país […], esclarecendo os militantes” acerca do seu projeto de candidatura”, Nuno Melo garantiu, contudo, que “perceber não é aceitar”.

“Acontece que perceber não é aceitar. E lhes garanto que, pela forma como a democraticidade interna do partido está a ser torturada, num dos momentos mais confrangedores da sua longa existência partidária, só aumenta a nossa determinação”, assegurou, acrescentando: “Passa a ser uma luta pela decência e pela legalidade. Venceremos, porque a nossa causa é justa”.

Congresso deverá ser em novembro

Nuno Melo vai disputar a liderança do CDS-PP com o atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, no próximo congresso partidário, que a direção propõe que se realize no final de novembro.

Sob o mote “Tempo de construir”, a sessão contou com a presença de mais de uma centena de convidados, entre os quais vários rostos conhecidos do partido, como o líder da bancada parlamentar centrista, Telmo Correia, a deputada Cecília Meireles, o antigo líder da distrital do CDS-Porto Álvaro Castello-Branco, o deputado e presidente da União de Freguesias de Cascais e Estoril, Pedro Morais Soares, e o deputado João Almeida, que há dois anos disputou a liderança do partido com o atual presidente do partido.

Maria João Caetano / Com Lusa