A Câmara Municipal de Lisboa aprovou esta terça-feira por unanimidade uma alteração ao orçamento que liberta 20,4 milhões de euros para pagar as dívidas de 1287 empresas a quem a autarquia deve dinheiro, noticia a Lusa.

O presidente da Câmara, António Costa (PS), explicou que o dinheiro sai da verba prevista para pagar os juros do empréstimo parte do plano de saneamento financeiro a que o Tribunal de Contas chumbou na semana passada.

«É incerto quando virá [o empréstimo], pelo que a Câmara não irá utilizar para já este dinheiro para pagar juros», afirmou o autarca. Embora 15 milhões de euros estejam abrangidos pela mobilidade da verba reservada para os juros, os restantes 5,4 milhões terão que ser cobertos, frisou António Costa. «O problema não está resolvido, o grosso da dívida continua por pagar», frisou António Costa, lembrando que os cem maiores credores da Câmara de Lisboa têm a haver 232 milhões de euros.

Lisboa: chumbo do TC foi «má notícia»

As razões no acórdão do TC

António Costa reiterou a necessidade de os serviços da autarquia terem «um cumprimento escrupuloso do orçamento e contenção na despesa», uma vez que o orçamento da Câmara é feito «a 12 meses e «à pele», o que quer dizer que qualquer imprevisto gera uma pressão muito grande» sobre as contas, nomeadamente as cheias que se verificaram em Lisboa na semana passada.

A alteração hoje aprovada «esgota a capacidade de financiamento próprio» da Câmara, havendo «incerteza na realização do orçamento» para este ano, afirmou António Costa. Os 20,4 milhões hoje disponibilizados para pagar aos credores visam «responder a empresas com pressão muito grande» pela dívida que a Câmara mantém.

António Costa destacou a situação igualmente difícil das empresas municipais, muitas vezes desvalorizada porque «são da casa», mas que acaba por criar dificuldades a outras empresas suas fornecedoras, configurando um «endividamento em cadeia».
Portugal Diário