A Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS sustentou hoje que o empréstimo pedido pela autarquia socialista da capital e chumbado pelo Tribunal de Contas destinava-se a pagar dívidas dos mandatos do PSD, noticia a Lusa.

A posição, manifestada em comunicado assinado pelo presidente do órgão, Joaquim Raposo, surge em reacção a declarações hoje do líder distrital de Lisboa do PSD, Carlos Carreiras, que defendeu que do acórdão do tribunal decorre que a dívida estrutural do Município remonta aos mandatos dos socialistas Jorge Sampaio e João Soares.

Segundo a FAUL, «o pedido de empréstimo» da autarquia, no valor de 360 milhões de euros, «só contempla as dívidas contraídas pelo PSD», estimadas em 451 milhões de euros, montante que «o próprio Tribunal de Contas não pôs em causa».

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A Federação considera «incoerente» a actuação dos sociais-democratas, já que, alega, viabilizaram, em reunião de Executivo, o pedido de empréstimo, «eram os principais responsáveis pela dívida» e «tentaram explicar o voto contra na Assembleia Municipal" referindo que "a Câmara não precisa de um empréstimo tão grande».

O Tribunal de Contas rejeitou terça-feira o pedido de empréstimo da autarquia lisboeta de 360 milhões de euros invocando a «insuficiência e falta de sustentabilidade do plano de saneamento financeiro».

Sobre a decisão, a Federação da Área Urbana de Lisboa do PS advoga que «nenhuma lei confere ao Tribunal de Contas poderes para sindicar os planos de saneamento das autarquias», devendo estes ser aprovados pelas assembleias municipais.
Portugal Diário