O advogado José Miguel Júdice negou qualquer desentendimento com o presidente da Câmara de Lisboa em relação à gestão da sociedade da frente ribeirinha e contou à Lusa que vai escrever um livro sobre as verdadeiras razões pela sua saída.

«Não saí em ruptura com ele, nem ele é culpado do que aconteceu. Vou escrever um livro para explicar tudo isto, que é um exemplo para o país», afirmou o advogado após um almoço de aniversário da Associação Comercial de Lisboa (ACL), onde cumprimentou calorosamente António Costa.

O ex-bastonário abandonou o almoço antes do discurso do autarca, mas sublinhou que é «completamente falso» qualquer ruptura entre os dois e que só saiu mais cedo porque tinha «uma reunião». Júdice também desmentiu que a razão para a sua saída do projecto da frente ribeirinha tenha sido a exigência de um gabinete na Praça do Município: «A sede da sociedade era a 200 metros do meu escritório [na Avenida da Liberdade], era muito mais prático».

Saída de Júdice: o Governo que explique

Os arquitectos João Biencard Cruz e Rita Cabral, Abel Fernandes Nunes e Maria José Sá da Bandeira faziam parte da equipa de José Miguel Júdice na Sociedade Frente Tejo e ainda não há esclarecimentos em relação ao seu futuro. «Pedi [a estes elementos] para aguardarem as decisões do Governo»

António Costa não quis fazer muitos comentários à saída do advogado, mas lamentou-a devido à «amizade pessoal e política» que têm. Sobre o projecto, o presidente lisboeta esclareceu que este é um plano «global para os 19 quilómetros de frente ribeirinha», que vai ser discutido em reunião do executivo municipal na quarta-feira e apresentado no sábado.

Também o ministro Mário Lino, à margem da cerimónia de entrega de computadores portáteis na Escola Profissional Gustave Eiffel, na Amadora, teceu poucos comentários ao afastamento de José Miguel Júdice: «Desconheço as razões da demissão, mas vejo com pena a sua saída».
Redação / CP