O Conselho Nacional do PSD aprovou esta quarta-feira de madrugada com 80 votos a favor, 18 contra e dez abstenções as listas de candidatos deputados à Assembleia da República, disse à Lusa fonte presente na reunião.

Na reunião do órgão máximo do PSD, que começou cerca das 22:00, em Guimarães, 74% dos conselheiros votaram favoravelmente, de braço no ar, numa votação feita globalmente das listas para os 22 círculos eleitorais.

Em 2015, sob o mandato de Pedro Passos Coelho, as referidas listas foram aprovadas por unanimidade.

Nas listas aprovadas esta madrugada dos 89 deputados eleitos pelo PSD em 2015, 49 estão fora das listas para as legislativas, o que corresponde a 55% do total.

O nome retirado das listas que mais polémica gerou foi o do ex-líder parlamentar Hugo Soares, o "único nome vetado" pela direção nacional, decisão confirmada pelo secretário-geral do partido, José Silvano, antes do início do Conselho Nacional.

É uma medalha que carrego com orgulho e de futuro", afirmou, à saída o ainda deputado, que abandonou a reunião antes do final dos trabalhos por não ter direito de voto.

Hugo Soares fez "duras críticas" a Rui Rio. Segundo uma das fontes do partido, o deputado começou por acusar Rio de "não gostar" do PSD por este não "respeitar a militância nem as estruturas do partido e as suas escolhas". E afirmou ter sabido pela comunicação social que tinha sido excluído das listas por veto (Hugo Sares foi a indicação da concelhia de Braga para a lista do distrito à Assembleia da Republica).

Da ordem de trabalho contava ainda a eleição do vice-presidente do partido, tendo sido retificada a eleição de José Manuel Bolieiro como novo 'vice' do partido.

Numa discussão que se prolongou até cerca das 03:00 de quarta-feira, os conselheiros acabaram por aprovar as propostas da Direção Nacional, ainda que com críticas.

Além de Hugo Soares, o histórico social-democrata e ex-deputado Jorge Neto criticou a forma como as referidas listas foram elaboradas, considerando que houve "uma limpeza" e não uma "verdadeira renovação" de candidatos a deputados.

Jorge Neto pôs mesmo em causa "a qualidade" do grupo parlamentar que resultar das eleições de 6 de outubro, temendo que a forma como foram elaboradas as listas, com recurso "a amiguismos e fidelidade a certas pessoas" em vez de guiadas pela meritocracia, venha a ter reflexos nos resultados eleitorais.

 

Hugo Soares, Maria Luís Albuquerque, Matos Rosa e Amadeu Albergaria entre os excluídos

Dos 89 deputados eleitos pelo PSD em 2015, 49 estão fora das listas para as legislativas que foram aprovadas pela Comissão Política Nacional, o que corresponde a 55% do total. Há quatro anos, esse valor em relação à anterior legislatura tinha sido de 45%.

Indicados nas listas pelas estruturas, mas excluídos da versão final pela Comissão política Nacional, não voltarão à Assembleia da República na próxima legislatura nomes como os da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, do ex-líder parlamentar Hugo Soares, do anterior secretário-geral Matos Rosa ou do antigo ‘vice’ do grupo Amadeu Albergaria.

Também não integram as listas de deputados do PSD – mas sem terem sido indicados pelas estruturas locais – o ex-secretário geral de Rui Rio Feliciano Barreiras Duarte, que se demitiu na sequência de polémicas relacionadas com a sua licenciatura e informações sobre a morada e presenças no parlamento, o antigo assessor de Passos Coelho Miguel Morgado, que não exclui uma futura candidatura à liderança do PSD, ou a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa Teresa Leal Coelho.

A estes, juntam-se alguns ‘notáveis’ do PSD que se autoexcluíram das listas, casos da ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz, do atual ‘vice’ presidente da Assembleia da República José Matos Correia, dos antigos vice-presidente do PSD Marco António Costa e Teresa Morais, do ‘vice’ da bancada António Leitão Amaro ou Sérgio Azevedo, cujo nome foi envolvido no inquérito ‘Tutti Frutti’, sobre alegados favorecimentos a militantes através de contratos a empresas ou de avenças.

Também citado na mesma investigação judicial, Carlos Eduardo Reis deverá entrar no parlamento na próxima legislatura, sendo o quarto nome por Braga.

Aos futuros ex-deputados do PSD, juntam-se os que foram saindo ao longo da legislatura, casos do ex-líder Pedro Passos Coelho, do antigo líder parlamentar Luís Montenegro ou dos ‘notáveis’ José Pedro Aguiar-Branco e Luís Campo Ferreira.

Apesar de fazerem parte dos 39 deputados que transitaram das listas de 2015 para os efetivos de 2019 (mais um, se se somar José Carlos Barros que será suplente por Faro), são vários os parlamentares que são repetentes nas listas, mas dificilmente voltarão a sentar-se no parlamento em outubro: Virgílio Macedo, Luís Vales ou Simão Ribeiro (nos lugares 27, 31 e 33 pelo Porto, respetivamente, círculo pelo qual o PSD elegeu 14 deputados em 2015) ou Bruno Vitorino, 18.º por Setúbal (há quatro anos os sociais-democratas elegeram quatro parlamentares por este distrito).

Simbolicamente, o ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes será o primeiro suplente no Porto e o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, o quarto suplente por Coimbra.

 

Só um dos seis ‘vices’ de Rio nas listas

Dos seis vice-presidentes do PSD, apenas uma, Isabel Meirelles, será candidata a deputada. Aliás, dos oito elementos eleitos da comissão permanente – o núcleo duro da direção – apenas três são candidatos a deputados: o presidente, Rui Rio, número dois pelo Porto, o secretário-geral, José Silvano, número dois por Lisboa, e Isabel Meirelles, número quatro pela capital.

O líder parlamentar, Fernando Negrão, que é membro por inerência da comissão permanente, será o número dois por Setúbal.

Os dois secretários-gerais adjuntos integram as listas, mas com expectativas diferentes: se Bruno Coimbra é quinto por Aveiro, claramente elegível, Hugo Carneiro será o 13.º pelo Porto (em 2015 o PSD elegeu 14 deputados neste círculo).

Por Braga, no quarto lugar, está Carlos Eduardo Reis - cujo nome foi envolvido na investigação judicial Operação Tuttifruti - e que apoiou Rui Rio em janeiro quando Luís Montenegro desafiou a sua liderança.

Emília Cerqueira, que disse à Lusa ter sido constituída arguida no caso das falsas presenças parlamentares, será a número dois por Viana do Castelo, e Rui Silva, oitavo por Braga, está também a ser investigado num processo por corrupção.

João Montenegro, outro conselheiro nacional que ficou ao lado do presidente do partido na aprovação da moção de confiança em janeiro, ficou de fora das listas. Aos jornalistas, explicou que lhe foi oferecido o 5.º lugar em Viseu, que considerou não ser elegível (há quatro anos o PSD elegeu precisamente cinco parlamentares por este círculo).

Eu optei por pedir à direção nacional que me retirasse do processo. Sempre estive no partido numa lógica de união e não de desunião e não quero contribuir para que o resultado do partido fosse prejudicado por o meu nome incomodar uma estrutura distrital ou um cabeça de lista”, afirmou João Montenegro.

De fora ficou também Margarida Mano, que há quatro anos fora cabeça de lista por Coimbra. Nesta legislatura, foi o rosto no parlamento da defesa da contagem integral de serviço dos professores, que chegou a provocar uma ameaça de demissão do primeiro-ministro.

No maior círculo eleitoral, Lisboa, pelo qual o PSD elegeu há quatro anos 13 dos 47 deputados, são os seguintes os primeiros nomes do partido: Filipa Roseta, José Silvano, Pedro Pinto, Isabel Meirelles, Marques Guedes, Duarte Pacheco, Sandra Pereira, Ricardo Batista Leite, Pedro Rodrigues, Lina Lopes, Carlos Silva, Alexandre Poço e Joana Barata Lopes.

Já pelo Porto, o círculo pelo qual o PSD elegeu mais deputados – 14 de 39 –, os primeiros nomes da lista são: Hugo Carvalho, Rui Rio, Catarina Rocha Ferreira, Alberto Machado, Joaquim Cancela Moura, Germana Rocha, Afonso Oliveira, Álvaro Almeida, Sofia Matos, Alberto Fonseca, Paulo Rios de Oliveira, Carla Maria Gomes Barros, Hugo Carneiro e António Duarte da Cunha.