A deputada do Livre vai sentar-se entre PCP e PS, o deputado da Iniciativa Liberal entre PSD e CDS-PP e o deputado do Chega o mais à direita, todos na segunda fila.

A conferência de líderes decidiu que estes serão os lugares das três forças estreantes no parlamento na primeira sessão plenária da XIV Legislatura, ainda sem data marcada, que poderão depois manter-se ou não nas restantes sessões.

Por sua vez, o Partido Ecologista "Os Verdes" passa a ter um lugar na primeira fila, assim como o PAN (Pessoas-Animais-Natureza), por constituírem grupos parlamentares, respetivamente, com dois e quatro deputados.

Estas decisões foram transmitidas aos jornalistas pela porta-voz da conferência de líderes, a socialista Sandra Pontedeira, com o auxílio de um mapa do hemiciclo.

Sandra Pontedeira referiu que esta distribuição de lugares partiu de "uma proposta apresentada pelo presidente da Assembleia da República [Eduardo Ferro Rodrigues] para a primeira sessão".

"A nova conferência de líderes pode ou não alterar esta proposta", salientou, realçando também que só os grupos parlamentares têm assento na conferência de líderes.

Na legislatura que agora termina, o deputado único do PAN, André Silva, participou nas reuniões deste órgão, mas apenas com o estatuto de observador, sem direito de voto.

Da esquerda para a direita do hemiciclo, na primeira fila há três deputados do BE, dois do PCP, um do PEV, oito do PS, dois do PAN, seis do PSD e dois do CDS-PP.

Na segunda fila, a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, vai sentar-se entre as bancadas do PCP e do PS, com um deputado do PEV à sua frente, e o PAN tem os seus outros deputados entre o PS e o PSD.

Mais à direita, o lugar do deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, é entre a bancada do PSD e o CDS-PP, que tem três deputados na segunda fila, seguindo-se o eleito pelo Chega, André Ventura.

Primeira reunião parlamentar ainda sem data marcada

 A primeira reunião plenária da Assembleia da República, que marcará o arranque da XIV legislatura, está ainda sem data marcada, a aguardar a publicação do mapa oficial dos resultados das eleições legislativas.

O assunto foi discutido esta quarta-feira em conferência de líderes, constituída por elementos da composição cessante do parlamento, mas ficou adiado para uma nova reunião dos representantes dos grupos parlamentares, que será entretanto marcada.

Ficou já definido, contudo, que a primeira reunião plenária da XIV legislatura, na qual serão eleitos o presidente e a mesa da Assembleia da República, terá duas sessões, uma às 10:00 e outra às 15:00.

Esta quarta-feira, passados dez dias das eleições legislativas de 06 de outubro, decorre em Lisboa a contagem dos votos dos dois círculos da emigração, Europa e Fora da Europa, e atribuição dos respetivos quatro mandatos.

O mapa oficial com o resultado das eleições em todos os círculos eleitorais tem de ser depois publicado em Diário da República.

Iniciativa liberal critica decisão da conferência de líderes e afirma que quer "estar o mais distante dos extremos"

A Iniciativa Liberal considerou que a conferência de líderes parlamentares tenha “ignorado uma vontade demonstrada publicamente” sobre o lugar a atribuir ao deputado eleito no hemiciclo, uma decisão tomada “sobre deputados que não estão presentes”.

A conferência de líderes decidiu hoje que a deputada do Livre vai sentar-se entre PCP e PS, o deputado da Iniciativa Liberal entre PSD e CDS-PP e o deputado do Chega o mais à direita, todos na segunda fila, atribuindo assim os lugares às três forças estreantes no parlamento na primeira sessão plenária da XIV Legislatura.

Numa posição escrita enviada à agência Lusa, o partido Iniciativa Liberal considera que “as conclusões da conferência de líderes demonstram uma vez mais o sentimento de propriedade que alguns têm da democracia”.

Tomam decisões sobre deputados que não estão presentes e, neste caso, até ignorando uma vontade demonstrada publicamente. Voltaremos, assim que os trabalhos começarem, a demonstrar a nossa vontade de estar o mais distante dos extremos”, critica.

Segundo a Iniciativa Liberal, “o mundo evoluiu, mas alguns continuam presos a estereótipos da revolução francesa”, numa referência à divisão entre esquerda e direita.

Mas não faremos disto um impedimento para a afirmação das políticas liberais, que serão bem mais afirmadas em propostas e intervenções, do que um lugar específico num hemiciclo que, tal como a política portuguesa, precisa de se renovar”, garante.

Em entrevista à agência Lusa divulgada no passado fim-de-semana, o deputado eleito da Iniciativa Liberal, Cotrim de Figueiredo, revelou que se queria sentar “o mais longe dos extremos possível” no plenário da Assembleia da República, ou seja, sentando-se a meio do hemiciclo, referindo que o seu partido, fundado em 2017, tem um “agnosticismo” relativamente à divisão esquerda-direita, que remonta à Revolução Francesa.

Gostaríamos de estar algures numa segunda dimensão, porque não nos revemos de todo nesta geometria, mas o hemiciclo é o que é, não será por nós que se vai fazer obras, portanto, tudo o que posso dizer é que vamos querer estar o mais longe dos extremos possível”, declarou então, confirmando que “o meio é o que está mais longe”.

Na legislatura que agora termina, também o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) recusou a divisão esquerda-direita e escolheu sentar-se ao centro do hemiciclo.

/ HMC atualizada às 15:26