O líder do Chega, André Ventura, reagiu, esta quarta-feira, à notícia da detenção de Luís Filipe Vieira, na sequência de um caso que investiga suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais, apelando a uma resposta rápida e eficaz da justiça portuguesa, num caso que diz ter lesado Portugal e os portugueses.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o presidente e deputado único do Chega, André Ventura, que foi comentador desportivo e próximo do presidente do Benfica, disse encarar esta detenção “da mesma forma” que qualquer outra.

Peço o mesmo que peço para todos os outros casos: a justiça tem de ser rápida, eficaz e transparente. Neste tipo de crimes, como noutros a que temos assistido, não pode haver nomes, cargos, não pode haver figuras (…). É isso que os portugueses querem”, afirmou o líder do Chega.

O líder do Chega referiu que podem estar em causa, por um lado, crimes ligados ao Benfica (relacionados com ações do clube) e, por outro, suspeitas de burla ao Fundo de Resolução.

É importante perceber qual a força destes indícios. Aqui não há exceções, seja Luís Filipe Vieira, seja outro líder desportivo, religioso ou qualquer outro, a justiça tem de atuar com muita firmeza e muita rapidez”, disse, acrescentando que a detenção de Vieira “terá sido ordenada” pelo juiz Carlos Alexandre, que considerou “já ter dado amplas provas de independência e transparência” no combate “a este tipo de crimes”.

Estamos a falar de crimes que lesaram Portugal e os contribuintes e o que eu espero é que a justiça seja rápida, eficaz e transparente”, sublinhou.

Recorde-se que, na sequência do mesmo processo, também o milionário José António dos Santos, conhecido como “rei dos frangos”, acabou por ser detido. Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, e o empresário Bruno Macedo, responsável pelo regresso de Jorge Jesus à Luz e pelas contratações de Éverton ou Lucas Veríssimo, acabaram também por ficar detidos.

No âmbito do mesmo processo, foram também feitas buscas a Nuno Gaioso Ribeiro, responsável pela reestruturação da dívida da empresa Promovalor, de Luís Filipe Vieira, e ex-vice-presidente e administrador da SAD do clube encarnado.

O alegado esquema serviria para benefício dos dois e em prejuízo do Benfica: na compra de ações da SAD encarnada, por parte do clube, que dariam uma mais valia de 11 milhões de euros ao empresário e amigo de Vieira, maior acionista privado, com 16,33 por cento do capital.

O negócio, no ano passado, acabou por ser travado pela CMVM, ao concluir que a OPA do clube sobre a SAD ia ser feita com fundos da própria SAD, numa operação no valor de 32 milhões de euros.

Antes disso, José António dos Santos, 79 anos, recomprara por oito milhões de euros a dívida que fora da Imosteps, de Vieira, ao Novo Banco, salvando assim o presidente do Benfica da insolvência, numa altura em que este se recandidatava à liderança do clube e da SAD - e precisava, para o efeito, de ter a sua idoneidade a salvo.

Acredita o Ministério Público que, em contrapartida, Vieira arranjou forma de, usando a sua posição de presidente do clube, conseguir que o amigo tivesse largos benefícios na venda de ações ao próprio Benfica, que tinha 67% da SAD do clube, querendo chegar aos 95%.