O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, considerou esta terça-feira que o homólogo socialista, Carlos César, cometeu uma "gaffe monumental" quando criticou a escolha do Algarve pelos sociais-democratas para realizarem as suas jornadas.

É bom que os algarvios também possam avaliar a qualidade de quem os representa e possam avaliar se as diversas forças políticas são merecedoras ou não do apoio eleitoral que lhe tem sido facultado nas eleições", afirmou Montenegro, na abertura das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem até quarta-feira em Albufeira (Faro).

O líder parlamentar do PSD começou o discurso precisamente com um comentário às declarações do presidente do PS, Carlos César, - sem nunca o nomear - que na semana passada disse que os socialistas preferiram Bragança, no interior do país, para a realização das suas jornadas, em vez de um destino turístico com sol.

É de facto uma 'gaffe monumental'. A pessoa que disse isso estava em Bragança e nem se apercebeu que Bragança, tal como outros locais do interior, são destinos turísticos", afirmou Montenegro.

 

Só quem não sabe, quem ignora este potencial, se poderia estar a referir ao Algarve como destino turístico sem saber que ele próprio pisava território turístico", acrescentou.

Luís Montenegro voltou a justificar a escolha do local das jornadas do PSD pelos problemas que afetam esta região e recordou que, esta terça-feira de manhã, os deputados sociais-democratas se repartiram em mais de uma dezena de visitas pelos vários concelhos do distrito, abordando temáticas como a saúde, educação, pescas, florestas ou segurança

"Objetivamente, o Algarve é muito mais do que sol e mar, é esta comunidade de pessoas, de instituições, que tem o direito, e nós o dever, de almejar garantir iguais oportunidades de outras regiões do país", afirmou.

Antes da intervenção de Luís Montenegro, também o presidente da distrital de Faro do PSD, David Mascarenhas dos Santos, se tinha já referido a esta polémica, dizendo que só podia ser entendida como desconhecimento dos problemas dos algarvios de alguém que "só costuma ir passar férias à ilha da Culatra".

Este Governo tem “duas caras”

O líder parlamentar do PSD acusou ainda o Governo de ter "duas caras", a da publicidade e a da realidade, e apontou como exemplo o caso da regularização dos precários.

É de facto um governo com duas caras, a cara da publicidade, que é aquela que aparece sempre sorridente, e depois a cara da realidade, do dia-a-dia, que é a cara destes malabarismos e subterfúgios em que se esconde muita da incapacidade do governo poder fazer aquilo que diz", acusou Luís Montenegro.

Na intervenção na abertura das jornadas parlamentares, o presidente da bancada social-democrata apontou como exemplo o caso da utilização de estagiários no Centro de Estudos Jurídicos da Presidência do Conselho de Ministros e criticou que uma tarefa como a avaliação da qualidade da legislação possa ser atribuída a estagiários.

"Se a tarefa é esta - e se é importante, deve ser permanente, achamos bem que se faça - mas isso requer uma dose de experiência, de vínculo, de atributo qualitativo que este tipo de procedimento não oferece", afirmou.

A este propósito, o líder parlamentar do PSD acusou o Executivo socialista de contradição por, atualmente, estar a decorrer um processo de integração de precários na administração pública que qualificou como "um processo muito mal explicado e que está a ser usado de forma propagandística em vésperas de eleições".

Na abertura das jornadas, que antecedeu uma reunião fechada dos deputados sociais-democratas, Luís Montenegro incitou os parlamentares do partido a avaliarem aquela que tem sido "a capacidade do partido transmitir" as suas iniciativas.

"Temos imensas iniciativas mas às vezes parece que não temos iniciativa nenhuma e somos acusados de estar sempre a falar na mesma coisa", afirmou, reconhecendo que nem sempre o partido "tem sido bem-sucedido" nessa comunicação.

Luís Montenegro aproveitou para destacar a iniciativa legislativa que o PSD levará a debate na quinta-feira no parlamento, sobre o regime jurídico da atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TIRPE).

"É verdade que está uma iniciativa pendente no Parlamento, mas não é uma boa iniciativa, complica e não faz o essencial", afirmou, prometendo que o PSD irá também retomar em breve o tema da violência sobre idosos e do abandono e isolamento deste grupo etário.

Na sua intervenção, Montenegro retomou as críticas à proposta do PS relativa ao alojamento local e que prevê a obrigatoriedade de os condóminos aprovarem este negócio turístico.

"Querem matar o alojamento local, sobretudo daqueles que não têm capacidade de ter prédios inteiros", acusou, pedindo aos deputados do PSD ideias para a regulação deste setor sem acabar com este segmento de alojamento.