Montenegro saúda Rio mas avisa: "Não vale a pena anunciarem a minha morte política" - TVI

Montenegro saúda Rio mas avisa: "Não vale a pena anunciarem a minha morte política"

  • BC
  • 18 jan 2020, 22:39

Candidato derrotado na segunda volta das diretas do PSD falou ainda antes de serem anunciados os resultados oficiais

O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro reconheceu hoje a derrota nas eleições diretas e disse que já telefonou ao presidente Rui Rio a saudá-lo pela vitória, pedindo-lhe que tenha “a capacidade de devolver a unidade ao partido”.

Aqui não há nenhum equívoco e nenhuma dúvida ele é o vencedor destas eleições, é credor do nosso cumprimento”, afirmou Luís Montenegro, que reclamou representar os votos de cerca de 47% dos militantes do PSD.

 O candidato derrotado à liderança do PSD avisou também e que "não vale a pena anunciarem" a sua morte política, considerando que essa notícia seria "manifestamente exagerada".

Na declaração em que reconheceu a derrota, Luís Montenegro disse que irá ao Congresso do PSD, que se realiza entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo, mas assegurou que, num futuro próximo, não irá assumir qualquer cargo no partido.

Questionado se admite ser candidato nas autárquicas de 2021, o antigo deputado considerou que “esta questão não se coloca” de momento.

Eu não sou político de profissão, sou político por missão, não tenho essa visão de preocupação em relação ao meu futuro político. Estou centrado em ser um militante ativo do PSD e continuar a contribuir e colaborar para que o partido tenha êxito nos seus diversos combates”, afirmou.

Montenegro foi recebido na sala do hotel onde acompanhou a noite eleitoral com demorados aplausos de pé pelos seus apoiantes, chegando acompanhado da mulher, da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, da mandatária nacional Margarida Balseiro Lopes, do antigo líder parlamentar Hugo Soares e do diretor de campanha e deputado Pedro Alves.

Na fase de perguntas e respostas à comunicação social, Montenegro disse estar “sempre disponível” para ajudar o seu partido, mas assegurou que “nos próximos tempos” não tenciona desempenhar “nenhuma função nem nenhum cargo” no PSD.

Vou regressar, depois destes meses de campanha, com muita tranquilidade e de consciência tranquila à minha condição de militante de base”, afirmou.

Questionado sobre as razões pelas quais considera que a sua candidatura não saiu vencedora, disse não achar “interessante” fazer essa análise.

“O que é interessante é verificar que o partido relegitimou o dr. Rui Rio e deu-lhe nova oportunidade de poder inverter - e com ele o partido - o ciclo de maus resultados eleitorais”.

Quanto à sua participação no congresso de Viana do Castelo, Montenegro definiu-a como “uma participação no debate”.

“Não vou reivindicar no congresso nada que não seja o que me compete, que é dar a minha opinião, o meu contributo: participar nesse grande debate que é a reunião magna do PSD, esgoto aí a minha participação no congresso e creio que já não é pouco”, disse.

Questionado se o repto que lançou há um ano de diretas antecipadas - rejeitado em Conselho Nacional - o pode ter prejudicado, o antigo líder parlamentar do PSD reiterou que pretendia uma clarificação, que continua a entender que “foi feita tardiamente”.

“Respeito os resultados e desejo sucesso ao líder e à liderança do partido”, afirmou.

Montenegro salientou que esta “foi a primeira vez” que concorreu à liderança do PSD e disse ter “tido muita honra” em participar nesta disputa.

Não tenho nenhuma previsão sobre aquilo que possa ser o futuro, mas quero dizer de uma forma clara: não vale pena anunciarem a minha morte política, porque creio que essa notícia é manifestamente exagerada”, afirmou.

O candidato e presidente do PSD, Rui Rio, foi hoje reeleito com 53,02% dos votos, derrotando o ex-líder parlamentar Luís Montenegro, que teve 46,98%, anunciou o conselho de jurisdição nacional do partido.

Esta eleição foi decidida numa segunda volta das diretas no PSD, o que aconteceu pela primeira vez na história do partido.

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