Luís Montenegro, do PSD, avisou o Governo para não contar com os sociais-democratas no que toca à redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas. Porque, afinal, sublinhou, "o debate só existe porque PCP e BE assim o quiseram" e “a geringonça” é obra do Executivo.

“Não contem connosco para a vossa politiquice. A geringonça é vossa, ponham-na a mexer.”

No debate sobre a TSU, esta quarta-feira, no Parlamento, o deputado social-democrata afirmou que tanto o primeiro-ministro, como o PS, o PCP e o BE “devem explicações aos portugueses”.

O primeiro-ministro desde logo porque “assinou um acordo na concertação social na qual impôs” uma condição que os parceiros, BE e PCP, não apoiavam. Montenegro questionou o que pretendia António Costa com esta decisão?

“Foi para abrir uma guerra na geringonça? Quem explica esta ligeireza? Qual é o significado politico desta medida? Que valor tem agora a palavra do primeiro-ministro de Portugal?"

Montenegro continuou com as críticas à esquerda, virando-se depois para os partidos que suportam o Executivo socialista. O deputado do PSD sugeriu que o PCP e o BE querem “tirar o tapete ao Governo”.

"O PCP e o BE também devem explicações. O que pretendem? Pretendem tirar o tapete ao Governo? Querem dizer ao país que já não estão disponíveis para suportar as políticas do Governo?"

Para o social-democrata, a maioria de esquerda é uma "maioria de meias-tintas" em que "cada um só aparece na parte que é popular".

"Esta maioria que se disse coesa, estável e duradoura é uma maioria de meias-tintas em que cada um só aparece na parte que é popular."

Quanto ao facto de o PSD já ter defendido a TSU, quando era governo, Montenegro justificou a "pirueta" de que a esquerda tanto tem falado.

"Sim, promovemos uma redução da TSU temporária. Sim, fizemos isso. Mas com três condições: 1) a medida era excecional e temporária; 2) as atualizações subsequentes do salário mínimo tinham de atender ao crescimento da economia, à evolução dos preços e aos ganhos de produtividade; 3) a medida era suportada pelo Orçamento de Estado e não prejudicava nem penalizava os pensionistas."

"Todos sabiam que o PSD não queria penalizar os baixos salários nem a Segurança Social", acrescentou.

 

CDS acusa Governo de fazer "teatro"

O CDS acompanhou o PSD na ideia de que não existe a "apregoada maioria" parlamentar. "Onde é que está a maioria? Apareçam!", disse Nuno Magalhães, no hemiciclo.

"O mais grave é que, a partir de hoje, a palavra do primeiro-ministro quando propõe, negoceia, acorda, assina, não serve para rigorosamente nada pois ficou nas mãos de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa", vincou o centrista.

Mais tarde, a centrista Cecília Meireles descreveu o debate como uma "encenação", acusando o Governo de fazer teatro.

“Se não precisam de nós, sentem-se com aqueles partidos [de esquerda] e governem. Se assim é: menos teatro e mais governação.” 

 

VEJA TAMBÉM: