O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda solicitou esta sexta-feira ao presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, o «relatório das despesas detalhadas e completas» referentes à deslocação de Luísa César e respectiva comitiva ao Canadá.

O documento, dirigido ao presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, considera «absurdo» o valor de 27 423 euros contratado com a agência de viagens, tendo em conta o «custo médio» das despesas em causa, como viagens, alojamento e aluguer de viaturas.

Em causa está uma deslocação de Luísa César, mulher de Carlos César, às cidades de Winipeg e Toronto, no Canadá, acompanhada por dois assessores, entre 9 e 14 de Março.

O BE salienta que o Estatuto Político-Administrativo dos Açores não prevê «qualquer qualidade institucional de cônjuge do Presidente do Governo», frisando «não compreender que se tenha gasto uma quantia tão avultada tendo em conta a implementação de medidas para a redução de despesas do executivo».

Na sequência da polémica surgida na semana passada relacionada com os custos da viagem de Luísa César ao Canadá, o presidente do executivo açoriano divulgou um esclarecimento onde refere que a deslocação se verificou «a título institucional, correspondendo a um convite da Liga Solidária da Mulher Portuguesa de Manitoba».

A nota divulgada no portal do Governo dos Açores na Internet salienta ainda que Luísa César «é remunerada de acordo com o seu vencimento de funcionária pública», acrescentando que «quer nas deslocações nas suas funções de coordenadora na Presidência do Governo, onde não recebe complemento remuneratório, quer na qualidade institucional de cônjuge do Presidente do Governo, Luísa César, por dever e obrigação de frequentes deslocações na região e fora dela raramente aufere as ajudas de custo a que tem direito».

O presidente do executivo açoriano considerou «relevante o objectivo da viagem», salientando que o valor da deslocação ao Canadá se enquadra nos «padrões praticados». «Todo o procedimento da deslocação foi tornado público e aplicados os princípios de transparência e legalidade», assegurou Carlos César, acrescentando que este exemplo «deveria ser seguido por todas as entidades regionais e autárquicas».