O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, criticou este domingo as «leis tontas» da República que permitem que incendiários sejam postos em liberdade, garantindo que o povo madeirense vai «resistir» apesar dos problemas.

«Apesar das contrariedades que a Madeira tem sofrido nos últimos anos, ainda a semana passada tivemos a tragédia do terrorismo incendiário, andaram a atear fogo, apesar das tais leis tontas, são apanhados e mandados para casa, as leis portuguesas que não nos servem para nada, estamos aqui para resistir», afirmou Jardim no encerramento da Mostra da Banana na freguesia da Madalena do Mar, concelho da Ponta do Sol.

O líder madeirense explicou mais uma vez as razões que levaram à atual situação financeira da Madeira, sujeita a um Plano de Ajustamento Económico e Financeiro acordado com a República, na sequência de uma dívida pública na ordem dos 6.000 milhões de euros. Jardim voltou a frisar que «não se arrepende» de ter feito a dívida, pois foi a única forma de garantir o desenvolvimento do arquipélago, escreve a Lusa.

O governante sublinhou que com esse acordo se «garantiu a continuação da autonomia e começou o período que é para consolidação financeira» da Madeira.

«Podia não ter recorrido à divida, mas também nada fazia. Hoje não tínhamos dívida, estávamos a pagar dívida do Estado Português e estávamos mais atrasados que há 30 anos».

«Mas esta dívida da Madeira tem uma razão: Lisboa não cumpriu os seus compromissos com a região», adiantou, apontando que o Estado não assumiu os encargos com os setores da saúde e educação que estão atribuídos na Constituição.

O governante insistiu que existe uma dívida da República para com a região nestas áreas dos investimentos feitos, na ordem dos 9.000 milhões de euros.

«A dívida da Madeira é 6.000 milhões e se o Estado português tivesse cumprido a Constituição e suas obrigações no campo da saúde e educação, a Madeira não tinha qualquer divida».

Jardim censurou também a «campanha» que é feita no território nacional, que esta região vive à custa do Continente. E disse que «a única coisa que Lisboa paga é polícia, tropa e tribunais, aquilo que vigia, de resto foi o povo madeirense que pagou tudo.

«Afinal o que é que o Estado português está a fazer aqui na Madeira, não pagou obra nenhuma, mas obriga-nos a respeitar leis tontas e se é para estar aqui sujeito leis destas, a gente dispensa muito bem», sublinho.

Jardim garantiu ainda que apesar de ter tido um problema de saúde há cerca de um ano, pretende «cumprir o mandato», concluindo: «Se Deus me der força e saúde, estamos aqui para resistir e ir para a frente».
Redação / PB