O PSD quer saber se o ministro da Administração Interna teve conhecimento do caso de Tancos, face às notícias do envolvimento da GNR no alegado encobrimento na recuperação do material militar furtado, foi hoje anunciado.

Numa pergunta ao Ministério da Administração Interna (MAI), entregue no Parlamento, o líder parlamentar do PSD Fernando Negrão e o deputado Carlos Peixoto querem saber se Eduardo Cabrita “teve, em algum momento, conhecimento dos contornos da operação que levaram ao encobrimento do desaparecimento das armas de Tancos”.

Os sociais-democratas argumentam que “foi tornado público” o alegado envolvimento de militares da GNR, na tutela do MAI, nomeadamente de Loulé, na “operação que levou ao encobrimento do roubo do material de guerra”.

Esta é a segunda pergunta deste tipo feita pelo PSD a um ministro, depois de, na quarta-feira, ter questionado a titular da Justiça, Francisca Van Dunem.

Dado o denunciado envolvimento da GNR, é imperioso esclarecer cabalmente se o senhor ministro da Administração Interna, que tutela a instituição, em algum momento obteve ou tentou obter do comando geral ou de outro nível de comando informações sobre a operação que resultou na recuperação do material de guerra”, lê-se no texto.

Para o PSD, o “roubo das armas de Tancos e a sua milagrosa aparição” não pode “nem deve ser desvalorizado ou silenciado”.

Na quarta-feira, também numa pergunta assinada por Fernando Negrão e Carlos Peixoto, o PSD afirmou querer saber “que grau de conhecimento” tem a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, do caso de Tancos, defendendo que o primeiro-ministro a colocou “no mesmo nível de responsabilidade política” do ex-ministro da Defesa.

Os sociais-democratas recordaram que, no debate quinzenal de 26 de setembro, o primeiro-ministro foi questionado se mantinha a confiança política no seu anterior ministro da Defesa por causa de Tancos, e na resposta afirmou que sim e mantinha os dois, Azeredo Lopes e Francisco Van Dunem, no Governo.

O furto do armamento dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017, e, quatro meses depois, foi recuperada parte do material militar.

Em setembro, a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR.

Na mesma altura, foi noticiada uma operação de encenação e encobrimento na operação, alegadamente organizada por elementos da Polícia Judiciária Militar, que dela terão dado conhecimento ao chefe de gabinete do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

José Azeredo Lopes demitiu-se do cargo de ministro da Defesa Nacional, entretanto, e foi substituído por João Gomes Cravinho.

Também o general Rovisco Duarte apresentou a demissão de Chefe do Estado-Maior do Exército, cargo agora ocupado pelo general José Nunes da Fonseca.

/ AR