O ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, escusou-se esta segunda-feira a falar sobre o futuro das propinas, preferindo destacar a aposta do Governo em reduzir os custos da família com a formação académica.

Questionado sobre a exigência da Associação Académica de Coimbra (AAC) de que haja uma resposta "clara, definitiva e inequívoca em relação às propinas no ensino superior", o governante - que já defendeu o fim das mesmas - preferiu falar da estratégia do Governo para a redução de outras despesas.

Todas as associações podem exigir tudo, o diálogo é perfeitamente claro sobre aquilo que é a estratégia do Governo em reduzir os custos das famílias e, por isso, lançámos de uma forma pragmática e inédita em Portugal o programa para alojamento dos estudantes do ensino superior”, afirmou.

O ministro falava em Bragança, à margem de um simpósio sobre competitividade internacional do ensino superior politécnico, salientando que está demonstrado que não são as propinas que mais pesam nos custos da frequência do ensino superior.

Manuel Heitor afirmou que a aposta do Governo é alargar a base social, chamar mais estudantes, o que requer “a redução dos custos que as famílias têm” e que se “repartem numa variedade grande de diferentes tipos de custo”. Segundo o ministro, o custo das propinas tem um peso de “entre 15 a 20%” no global, enquanto o da habitação “é cada vez mais a questão critica”, o custo que mais cresceu.

Daí a prioridade [dada] no último ano a desenvolver o programa nacional de alojamento”, apontou.

O ministro lembrou que “Portugal aumentou, nos últimos anos, em cerca de cinco por cento o número de estudantes”, nomeadamente com o aumento também dos estudantes estrangeiros.

Atualmente, “quatro em cada dez jovens com 20 anos estão a participar no ensino superior” e a ambição nacional “é chegar a 2030 com seis em cada 10”.

“Implica aumentar a participação em 50% e este é um desafio coletivo que exige certamente um reforço da ação escolar e, por isso a reprogramação dos fundos comunitários que foi aprovada em dezembro garante as condições de sustentabilidade até ao fim do futuro quadro europeu”, declarou.

 

Ministro defende cursos curtos e estreita cooperação com empregadores

Neste simpósio, em Bragança, Manuel Heitor defendeu cursos curtos e uma estreita cooperação com os empregadores como estratégia sobretudo para os politécnicos. O ensino tradicional nunca terminará, realçou o ministro, defendendo que “tem é de ser complementado com novas práticas e cada vez mais adaptar o processo de ensino à aprendizagem chamada ativa”.

Hoje os estudantes têm acesso a muita informação e, por isso, o papel critico das instituições de Ensino Superior será sempre mais criar mentes criativas, estabelecer o diálogo, cada vez mais um contexto de criação que só pode ser feito se o ensino, a investigação e a inovação estiverem em estreita articulação com as empresas”, preconizou.

Para o governante, “criar emprego requer quadros qualificados, as empresas procuram e precisam de quadros qualificados e o papel do ensino superior em articulação cada vez mais estreita com as empresas é a única solução” e “requer também, do lado das instituições do ensino superior, nomeadamente dos politécnicos, a adaptação da oferta formativa, sobretudo através de formações curtas”.

Manuel Heitor defendeu que “a experiência que os politécnicos trouxeram para Portugal das formações curtas iniciais, os cursos técnicos, é hoje crítico também estender-se aos adultos e à pós-gradução”.

E esse é um processo que só pode ser feito com os empregadores”, salientou.

O ministro lembrou que, nos últimos 20 anos, após a declaração de Bolonha, Portugal multiplicou por quatro a mobilidade de estudantes, criou as formações curtas, e multiplicou por cinco a formação pós-graduada.

“Internacionalizar é também empregar mais e essa é cada vez mais a responsabilidade do ensino superior porque as nossas empresas trabalham em mercados globais e, por isso, estudar no ensino superior é também aprender culturas, práticas que vão para além de Portugal”, acrescentou.

O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, presente também no simpósio, referiu-se ao percurso que estas instituições têm feito na estratégia de internacionalização e atração de estudantes. Uma estratégia concertada, como afirmou, com o desenvolvimento de programas em língua inglesa nas instituições e participações conjuntas em eventos internacionais.

Os politécnicos são aqueles que em termos percentuais têm revelado maiores percentagens de estudantes estrangeiros nas suas instituições, criando verdadeiras comunidades internacionais”, enfatizou.

O presidente do CCISP referiu ainda a capacidade destas instituições “de criar valor para as regiões”, anunciando que isso será demonstrado em dois estudos em fase de finalização e que serão apresentados nos meses de fevereiro e março, que envolveram 13 politécnicos portugueses.