O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, considerou esta quarta-feira “natural” a manifestação dos estudantes do ensino superior por todo o país contra o pagamento de propinas.

É natural que os jovens se manifestem e é bom que haja ativismo estudantil, cá estaremos para resolver todos os problemas e para fazer com que ninguém abandone o ensino superior”, firmou o governante aos jornalistas à margem da inauguração do Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia (CCTT) e Laboratório Colaborativo (CoLab) especializado na temática da água, AquaValor, em Chaves, no distrito de Vila Real.

Manuel Heitor sublinhou que esta quarta-feira mais de metade dos jovens com 20 anos estão no ensino superior, mas que, contudo, o Governo quer mais.

Daqui a dez anos, o Governo quer ter seis em cada dez jovens no ensino superior, especificou.

Estamos a trabalhar dia após dia para ninguém abandonar o ensino superior, pelo contrário, queremos trazer mais jovens para o ensino superior”, ressalvou.

Cerca de 300 estudantes do ensino superior manifestaram-se esta quarta-feira em Lisboa para exigir o fim das propinas num percurso que começou no Largo de Camões e acabou em frente à Assembleia da República.

Sob o lema “É hora de avançar, a propina tem de acabar”, a concentração fez parte de um protesto nacional que ocorreu também no Porto, Évora, Braga, Caldas da Rainha, Faro, Covilhã e Coimbra.

Durante todo o percurso, os estudantes bradaram palavras de ordem como “Para a banca vão milhões, para o ensino são tostões” e “A Educação é um direito, sem ela, nada feito”.

A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova foi uma das oito associações subscritoras da ação e o seu presidente, José Pinho, disse à Lusa que o estado atual do ensino superior tem trazido “consequências gravosas para os estudantes”, sendo a propina a principal fonte de dificuldades.

Isto já era um problema antigo, mas com a atual crise - tanto pandémica como económica - os estudantes e as suas famílias perdem rendimentos a cada dia que passa e torna-se difícil continuarem a suportar os custos do ensino superior”, disse.

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