Quer à esquerda como à direita, todos os partidos políticos se reviram em alguns dos pontos do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene dos 45 anos do 25 de Abril, no Parlamento. No entanto, o Presidente da República não foi aplaudido por todos. Apenas os deputados do PSD, do PS e do CDS-PP se levantaram e bateram palmas.

O líder da bancada parlamentar do PS, destacou, esta quinta-feira, que o 25 de Abril “é um dia de comunhão”, referindo que os desafios de hoje são diferentes daqueles que se viveram em 1974.

O dia 25 de Abril é um dia de comunhão, não é um dia de isenção”, disse o socialista.

Carlos César destacou que “o Partido Socialista partilha a visão que hoje foi aqui expressa pelo senhor Presidente da República” no seu discurso durante a cerimónia.

O também presidente do PS assinalou “que valeu a pena este passo fundador”, que “restituiu a liberdade e a oportunidade de todos aqueles que foram privados ao longo de décadas da possibilidade de atingirem a sua maioridade e de alcançarem outros níveis de vida, o pudessem fazer na sequência do 25 de Abril”.Q

Mas, também é certo que os desafios com que hoje nos encontramos e nos confrontamos já não são os mesmos que a geração que viveu 1974 na sua juventude ou até na sua idade adulta encontraram”, salientou.

CDS-PP revê-se na "ambição" do Presidente

O deputado centrista Pedro Mota Soares afirmou, esta quinta-feira, que o CDS-PP se revê na “ambição do Presidente da República” e defendeu que o partido tem apresentado propostas para aumentar a natalidade e reforçar a coesão territorial.

Nós revemo-nos muito nesta ambição do Presidente da República”, disse Pedro Mota Soares, num comentário ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa na sessão solene comemorativa dos 45 anos do 25 de Abril, na Assembleia da República, em Lisboa.

Considerando que o CDS-PP “é hoje a verdadeira alternativa à direita e ao centro” em relação ao Governo PS, o deputado disse que a bancada tem apresentado iniciativas em vários dos temas abordados pelo Presidente da República, destacando a natalidade e a coesão territorial e social.

Se há partido que na Assembleia da República tem feito um debate franco, transparente e aberto, nomeadamente com o Governo, tem sido o CDS”, considerou.

Por outro lado, Mota Soares destacou o “tema da transformação da economia num mundo cada vez mais digital”, considerando que a “Europa está a ficar para trás” e que as grandes empresas tecnológicas e digitais “não são europeias”.

Temos de aproveitar melhor os fundos europeus para a transformação da nossa economia”, defendeu.

Rio rejeita estar a fazer “política de casos” e pede reforma do regime

O presidente do PSD rejeitou , esta quinta-feira, que o partido esteja a fazer uma “política de casos”, na polémica das nomeações familiares, e voltou a defender uma reforma profunda do regime para cumprir a ambição pedida pelo Presidente da República.

No final da sessão solene dos 45 anos do 25 de Abril, no parlamento, em Lisboa, Rui Rio salientou que a atual Constituição da República já tem mais anos que a sua antecessora e defendeu, como faz há vários anos, que só com reformas profundas o atual regime poderá “dar resposta aos anseios da população”, na que considerou ser a principal mensagem do discurso do Presidente da República.

Ou o regime se reforma, ganha vitalidade, torna-se mais democrático, responde melhor e podemos cumprir o desenvolvimento reclamado pelo Presidente da República, ou não o fazemos e estamos a debater no plano virtual”, alertou.

Interrogado sobre o apelo do presidente da Assembleia da República para que os partidos não façam “uma política de casos”, Rio disse concordar com Ferro Rodrigues “no plano teórico”, mas não se este se referia em concreto à forma como os sociais-democratas têm abordado a polémica das nomeações familiares no executivo e no Estado.

Política de casos seria pegar em um, dois, três exemplos e não largar. Não é isso que se está a fazer […]. Isto não é uma política de casos, é uma linha política que entendemos que não está correta de forma nenhuma, nomearem-se uns aos outros para o aparelho do Estado”, afirmou.

Rio criticou ainda o projeto de lei do PS já conhecido, que pretende impedir nomeações familiares diretas por um governante até ao quarto grau, considerando que “é tapar o sol com a peneira”.

Mesmo que estivesse em vigor, tudo o que aconteceu podia acontecer na mesma. A ética não é legislável”, defendeu.

PCP defende "respostas concretas" para cumprir sonhos dos jovens

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu, esta quinta-feira, que a concretização dos objetivos dos jovens portugueses passa por “respostas concretas” nos salários, na estabilidade laboral e nas políticas para promover a natalidade.

Para o secretário-geral comunista, o discurso do Presidente da República na sessão solene comemorativa dos 45 anos do 25 de Abril, teve “coisas importantes”, mas também ficou “marcado por ausência das questões concretas que dariam mais alegria e mais futuro à juventude”.

O que gostaria de sublinhar é que a concretização dos objetivos e das perspetivas dos jovens portugueses passa muito por soluções concretas. Desigualdades sociais sim, mas pode um jovem sentir-se bem, constituir vida a ganhar 600 euros?”, questionou.

O secretário-geral do PCP reforçou ainda que, na concretização dos objetivos e perspetivas dos jovens portugueses, a “questão do salário” é importante tal como a questão “do vínculo” laboral e da conciliação da vida profissional e familiar.

BE aponta convergência sobre jovens e os que lutam para mudar o mundo

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, assinalou esta quinta-feira a convergência entre os discursos do 25 de Abril do Presidente da República e do BE em relação "a dois movimentos particulares de jovens ou os que lutam pela transformação do mundo".

A sessão do 25 de Abril no parlamento é sempre uma sessão importante na afirmação da democracia, é uma sessão importante de memória, não por um particular apego ao passado, mas porque é preciso conhecer para construir para o futuro", começou por dizer Catarina Martins aos jornalistas, à saída da cerimónia comemorativa da Revolução dos Cravos, na Assembleia da República, em Lisboa.

 

Por um lado, aquilo que temos assistido de uma grande mobilização de jovens pela urgência climática, parece-nos importante e deve obrigar a uma mudança radical de políticas para salvar o planeta. Não há planeta B", assinalou.

Catarina Martins registou ainda que o Presidente da República, tal como o BE, "achou também importante falar daquilo que tem sido a exigência de afrodescendentes em Portugal contra o racismo".

Vivemos num país em que o racismo é ainda presente e essa é uma luta a ter em conta", apelou.

Além disso, continuou, o BE acrescentou ainda "a luta das mulheres contra a justiça machista e a luta de todos os trabalhadores por direitos que têm marcado também este ano".

Verdes acompanham preocupações ambientais de Marcelo

O Partido Ecologista “Os Verdes” disse, esta quinta-feira, acompanhar as preocupações manifestadas pelo Presidente da República no plano sociedade e ambiental, realçando a necessidade de continuar a lutar por direitos fundamentais como a saúde e a educação.

O deputado José Luís Ferreira elogiou as preocupações ambientais manifestadas por Marcelo Rebelo de Sousa, nomeadamente “a ameaça e necessidade de combater” o fenómeno das alterações climáticas.

No plano social, os Verdes também querem sublinhar a necessidade imperiosa, para que o Presidente da República chamou a atenção, de valorizar os direitos que a nossa Constituição elege como fundamentais: o direito à educação, à saúde, ao emprego, à habitação e por aí fora”, realçou.

O deputado ecologista salientou que, tal como Marcelo Rebelo de Sousa referiu, “se o 25 de Abril valeu a pena por estes 45 anos, também valerá a pena manter presente Abril no futuro do país e dos portugueses”.

É para isso que os Verdes vão continuar a trabalhar”, assegurou.

/ CE