O Presidente da República defendeu, este sábado, que "vale a pena esperar" até ao final do mês para avaliar se as restrições para contenção da Covid-19 na Grande Lisboa devem prolongar-se ou levantar-se, porque muito pode mudar até lá.

Marcelo Rebelo de Sousa abordou o tema na Igreja Matriz de Ovar, após uma missa em memória das 40 vítimas mortais de Covid-19 nesse concelho do distrito de Aveiro. A cerimónia foi conduzida pelo Bispo do Porto, Manuel Linda, que, admitindo ter-se esquecido do discurso previamente escrito, improvisou uma homilia em que apelou a que nestes tempos de pandemia todos procurem atender a uma "dupla realidade", obedecendo não apenas aos preceitos religiosos e à vertente divina, mas procurando também "olhar para o lado" e ajudar o próximo.

O Presidente da República já em maio se comprometera a participar nessa cerimónia religiosa, por considerar que "Ovar foi um exemplo pela sua capacidade de luta e por aquilo que conseguiu fazer ao longo de semanas e meses", enfrentando "um drama" já em meados de março, "quando o resto do país ainda despertava para a pandemia".

Marcelo reconheceu que, atualmente, a situação mais problemática no contexto do vírus SARS-CoV-2 é a que se vive na Área Metropolitana de Lisboa e, momentos depois de o cantor Pedro Abrunhosa ter encerrado a celebração religiosa interpretando ao vivo um tema dedicado às vítimas locais de covid-19 e ao seu próprio pai, falecido há cerca de dois meses, aconselhava calma na definição de quais as medidas de contenção profilática que devem ser prolongadas ou levantadas.

Vale a pena esperar para ver, uma vez que o regime que existe dura até ao final do mês. Faltam cinco dias e cada dia conta. Olhar para a diminuição que tem havido - e que deve manter-se - de internados e utentes em cuidados intensivos é muito importante", declarou o Presidente da República, atribuindo "muita importância" ao que os especialistas possam dizer entretanto.

Para justificar essa cautela, Marcelo recordou: "No dia 08, à saída de uma reunião que foi a última naquele modelo com epidemiologistas, eu, por exemplo, citava um estudo de uma equipa de epidemiologistas liderada pelo professor Henrique de Barros sobre as linhas ferroviárias na Grande Lisboa. Passados 17 dias, há agora entendimentos aparentemente diversos sobre esta matéria, também técnicos, portanto aquilo que nós esperamos é que os especialistas e sanitaristas vão dialogando, trocando impressões, e que seja possível, a partir disso, haver uma imagem cada vez mais clara da situação para quem tem que tomar decisões políticas e de acompanhar o que se passa no dia-a-dia"

/ Publicado por MM