O Presidente da República defendeu esta quarta-feira que as autoridades sanitárias deveriam explicar publicamente o motivo para ser imposto isolamento ao primeiro-ministro, apesar de vacinado e com certificado digital covid-19, por ter tido contacto com um infetado.

Isto tem de ser explicado, para que não haja a ideia errada de que a vacina não serve para nada. Nós temos de vacinar e vacinar mais, há uma campanha de vacinação importante em curso e por isso é bom que os portugueses não fiquem com dúvidas", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Segundo o chefe de Estado, é preciso explicar aos portugueses "por que é que uma pessoa, apesar de vacinada há mais de um mês com um certificado que lhe permite andar pela Europa e pelo mundo, sair do território português, no entanto está sujeita à mesma obrigação de quarentena ou de isolamento profilático durante dez dias que uma pessoa não vacinada ou só com uma dose de vacina".

Tem de se explicar bem, para que não apareça como uma desvalorização da vacina", reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu essa explicação "cabe às autoridades sanitárias" e deve ser feita publicamente: "Se for um português vacinado há mais de um mês com a vacinação completa, aí tem de se explicar ao próprio e à família porquê. Aqui, como é um primeiro-ministro, penso que é importante explicar aos portugueses porquê".

Eu acho que esta explicação é importante, se não as pessoas ficam baralhadas, e a autoridade do Estado implica a credibilidade, credibilidade quer dizer que as pessoas acreditem em quem define regras, porque, se deixam de acreditar, entram em desconfinamento selvagem, que não tem nada a ver com desconfinamento organizado", argumentou.

DGS responde com "princípio da precaução"

Depois das dúvias lançadas pelo Presidente da República, a Direção-Geral da Saúde decidiu responder e utilizou o "princípio da precaução" para justificar o isolamento do primeiro-ministro.

Pelo princípio da precaução em Saúde Pública, no atual momento epidemiológico, de acordo com a Norma 015/2020 e 019/2020 da Direção-Geral da Saúde, as pessoas vacinadas são abordadas, no que diz respeito ao isolamento e testagem, respetivamente, da mesma forma que as pessoas não vacinadas", lê-se na nota. 

No entanto, é dito nesta mesma nota, que esta abordagem está em discussão e que "poderá ser atualizada com base na evolução da evidência científica e se a situação epidemiológica assim o suportar". 

/ AG - Notícia atualizada às 23:35