Marcelo Rebelo de Sousa esteve este sábado nos armazéns Banco Alimentar Contra a Fome, em Lisboa, e relembrou que a campanha deste ano é feita através da plataforma MB Way (utilizando o número 922 201 919) ou da compra de vales. Chamou a atenção de que às 380 mil pessoas às quais esta instituição dava apoio, juntaram-se este ano mais 15 mil. São os efeitos da pandemia de Covid-19. 

Tenham a noção, os portugueses, de que há 400 mil pessoas, as 380 mil que já existiam mais 20 mil que estão a aumentar aqui e acolá no país, que precisam de um contributo. Não é como era antigamente, cá vai uma lata de atum, cá fica uma fruta, cá fica arroz, cá fica massa, agora tem de ser de uma forma mais complicada, mas tem de ser. (...) Há um ano isto estava cheio, isto está vazio. É preciso preencher o que está vazio", afirmou. 

O Banco Alimentar organiza duas grandes campanhas de recolha de alimentos por ano, recorrendo a voluntários que vão recolhendo as doações nas superfícies comerciais. Depois, os alimentos são levados para as instalações da organização, na zona de Alcântara, em Lisboa, e lá são organizados.

Este ano, a pandemia e as medidas de contenção que foram decretadas proibiram a presença dos voluntários nos supermercados, e a azáfama que segue nos armazéns brancos e azuis, pintados com as cores e os símbolos da instituição. Este ano os pavilhões estão vazios, não há pessoas e não há alimentos.

Presidente da República favorável a prolongamento do lay-off

Sobre o Orçamento Retificativo, disse que Portugal não pode esperar pelos apoios da União Europeia. O objetivo deste Orçamento é evitar mais desemprego e prolongar o lay-off por mais tempo, para desta forma o Governo acorrer às necessidades mais imediatas, esclareceu.

Isto é tudo menos normal e os próximos anos vão ser tudo menos normais".

O Presidente da República referiu que não tem como função influenciar a decisão dos partidos, nomeadamente, sobre a aprovação ou não do orçamento suplementar. Entende que o lay-off deve ser prolongado, talvez até ao final do ano, e que o apoio aos trabalhadores independentes ficou muito aquém das expectativas, admitindo "que seja uma questão a ser encarada pelo Governo". 

Se se quer realmente dar tempo e permitir um fôlego maior para impedir que quem está em lay-off passe, em números significativos, para o desemprego, se o Governo consegue obter meios, e tem meios disponíveis para prolongar o lay-off por mais algum tempo, quanto mais tempo melhor, porque estas retomas são sempre muito difíceis".

E insistiu, "se houver disponibilidade para prolongar o lay-off por mais meses, isso é bom, nem que seja num modelo diferente".

Questionado se já tem conhecimento do plano do Governo nesta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa disse que não porque "ainda não foi aprovado".

Apelou aos partidos para encontrarem um consenso em torno do orçamento suplementar, instando as forças políticas a abandonarem “um bocadinho” as posições em que divergem e irem “ao encontro dos outros”.

O Presidente da República aí não tem gostos, o Presidente da República acha que nesta fase devemos todos fazer um esforço para abandonar um bocadinho a nossa posição que é diferente da posição dos outros, e para irmos ao encontro dos outros”.

Na quarta-feira, o Presidente da República sugeriu que o Governo pondere prolongar o lay-off, se houver disponibilidade financeira para isso, para conter o aumento do desemprego.

No mesmo dia, no debate quinzenal, o primeiro-ministro defendeu que "é essencial" manter medidas de proteção dos postos de trabalho, mas não deu uma resposta concreta sobre o prolongamento do lay-off simplificado, considerando que essa medida tem de ser "devidamente ponderada".

Na sexta-feira, a ministra do Trabalho disse que Governo está a desenhar um novo instrumento de apoio às empresas, sinalizando que o lay-off simplificado poderá evoluir para um modelo adaptado à atual fase da retoma da atividade.

Este momento diria que é um momento de transição, em que é preciso se calhar adaptar - e é nesse sentido que estamos a trabalhar - a medida que foi o 'lay-off' simplificado a uma medida de pós 'lay-off' simplificado, no sentido de a adaptar também a uma reabertura da atividade", referiu a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social numa conferência online promovida pela Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC).

 

Estamos neste momento a desenhar esse instrumento" na lógica de "termos uma medida que se adapte a uma diferente realidade que estamos a viver" e tudo será feito em amplo diálogo e ouvindo os contributos dos parceiros, referiu a ministra.

Cláudia Évora / com Lusa - atualizada às 20:44