O Presidente da República fez este domingo uma comunicação ao país, numa altura em que Portugal está em estado de alerta devido à pandemia de Covid-19. Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a convocação do Conselho de Estado para a próxima quarta-feira, às 15:00. O Conselho de Estado é um órgão de consulta do Presidente da República.

Ao contrário do que é habitual, o órgão de consulta não se reúne no Palácio de Belém, em Lisboa. Marcelo Rebelo de Sousa será o único a estar na Presidência, enquanto os restantes membros do conselho – 19 – participam por teleconferência.

Na reunião será discutida a possibilidade de Portugal acionar o estado de emergência. Recorde-se que o país se encontra, atualmente, em estado de alerta.

Numa mensagem emotiva e muito otimista, o Presidente aproveitou para deixar uma palavra de agradecimento a todos os portugueses, e, em especial, aos profissionais de saúde.

Quero agradecer aquilo que tem sido uma verdadeira quarentena voluntária dos portugueses", afirmou, antes de invocar valores como civismo ou o respeito pelos outros.

A partir de casa, Marcelo disse ter “acompanhado a situação minuto a minuto” e por isso decidiu “convocar o Conselho de Estado para a próxima quarta-feira para que se debruce também sobre a eventual decisão de decretar o estado de emergência”.

No vídeo, gravado em casa, disse tratar-se de uma “comunicação pessoal do Presidente da República", de "agradecimento e solidariedade para com todos os portugueses”, acrescentando que a comunicação formal ao país fá-la-á na quarta-feira depois do Conselho de Estado.

Pela positiva, numa mensagem de vídeo de 3:37 minutos, em que disse por duas vezes "vamos vencer", o chefe do Estado quis agradecer a resposta dos portugueses ao surto do novo coronavírus, “uma verdadeira quarentena voluntária dos portugueses nos últimos dias”, o seu “civismo, maturidade, compreensão, a solidariedade, o respeito pelos outros”.

E agradeceu “novamente” aos profissionais de saúde que “trabalham 24 em 24 horas”, que se “ultrapassam a si mesmos”.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que “aquilo que é preciso decidir será decidido, as medidas que é preciso tomar serão tomadas”, a avaliação “será feita hora a hora, dia a dia” numa altura em que os órgãos de soberania estão “juntos, Presidente da República, parlamento, Governo”, e com “partidos solidários”.

O que nos une é muitíssimo mais importante do que aquilo que nos pudesse dividir. E vamos vencer”, afirmou ainda.

O Presidente recordou que, ao longo da história, os portugueses venceram muitos desafios, como a “pneumónica, há 100 anos”, “crise económicas e financeiras” e concluiu: “Vamos vencer.”

O Chefe do Estado está em isolamento, em casa, em Cascais, apesar de ter testado negativo quanto à doença.

Ainda antes do anúncio de Marcelo Rebelo de Sousa, primeiro-ministro disse que os portugueses têm cumprido as restrições para evitar a disseminação do coronavirus, mas adiantou que, se o Presidente da República entender decretar o estado de emergência, o Governo não dará parecer negativo.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde atualizou o número de infetados para 245, mais 76 do que no sábado.

/ AG