O deputado único da Iniciativa Liberal esteve este sábado reunido com o Presidente da República. Após a reunião em Belém, João Cotrim de Figueiredo referiu que a audiência teve dois pontos: dissolução da Assembleia da República e a data das eleições antecipadas.

A Iniciativa Liberal defende a dissolução o Parlamento, tendo dito também a Marcelo Rebelo de Sousa que as eleições não se devem realizar antes de 30 de janeiro.

Falando sobre o PS, que "pôs como fasquia a maioria absoluta", Cotrim de Figueiredo diz que, caso essa maioria não se verifique, António Costa não terá condições para governar, uma vez que cortou relações à direita e não tem o apoio da esquerda.

Caso não haja maioria absoluta, já se percebeu que o PS não irá fazer pontes à esquerda", afirmou.

Sobre uma possível data, o deputado da Iniciativa Liberal diz que o Presidente da República não avançou qualquer dia em específico.

Questionado sobre a data escolhida pelo partido, bem mais tarde que a maioria das outras forças políticas, Cotrim de Figueiredo diz que a Iniciativa Liberal está "habituada a estar um bocadinho em contraciclo".

Não nos damos mal com isso. Os portugueses vão ter de fazer uma escolha mais subtil que pode definir o futuro de Portugal”, acrescentou.

Cotrim de Figueiredo invocou duas razões para que as eleições não tenham lugar antes dessa data, começando por defender que se trata de uma “eleição importante e difícil para boa parte das opções que os portugueses têm que tomar”, não sendo isso “compatível com uma campanha eleitoral demasiado curta e em cima da época natalícia”.

Em segundo lugar, porque há a necessidade de haver um campo de jogo equilibrado entre todas as forças políticas que se venham a apresentar a sufrágio. O que significa que não só aqueles partidos que estejam em processo de alteração de liderança interna, mas também os partidos que tenham que tomar alterações estratégicos importantes”, frisou.

Interrogado pelos jornalistas sobre o facto de outros partidos estarem a pedir que as eleições ocorram o mais rapidamente possível – o líder do PSD, Rui Rio, apelou, por exemplo, a que o sufrágio decorra ou a 9 ou 16 de janeiro – Cotrim de Figueiredo disse não lhe parecer "lícito alguém conseguir argumentar que uma ou duas semanas de diferença relativamente” a 30 de janeiro “é suficiente para eliminar a absoluta necessidade que há de que seja uma campanha efetivamente esclarecedora, com todos os agentes políticos em igualdade de circunstâncias”.

O que dizemos é claramente isto: os portugueses, quando forem votar, vão desta vez ter que fazer uma escolha que é provavelmente mais subtil e pode determinar mais o futuro de longo prazo de Portugal do que muitas outras que teve no passado”, salientou.

Cotrim de Figueiredo afirmou ainda que o apelo para que as eleições não se realizem antes de 30 de janeiro não se deve ao interesse da Iniciativa Liberal – alegando que o partido não tem “problema nenhum” caso decorram antes –, mas reiterando que se prende com o interesse “do país”.

“Achamos mesmo que deve ser uma eleição em que todos possam expor aquilo que pensam fazer para o país em termos de visão que têm, mas também em termos de protagonistas que têm para esse futuro”, frisou.

O líder da Iniciativa Liberal afirmou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa “não deu qualquer indicação” da data “em que se estava a inclinar”.

António Guimarães