sui generis



proveito

Política nas (entre)linhas


A confraternização vem sempre acompanhada das suas perguntas atrás de perguntas. E também de mensagem política. Até quando questiona os comerciantes sobre como conseguem “aguentar” numa terra desertificada um estabelecimento de roupa para crianças. Ou quando quer saber em detalhe preços e descontos. “25 euros? É uma camisola cara para um miúdo de 12 anos”. É o neto, a quem acabou por comprar um livro. “Estou mais contido, de facto. Mais forreta”, disse aos jornalistas.  

A crise, portanto, en passant pelo discurso. O candidato é, ainda assim, “otimista por natureza”, como se tem autoclassificado. Coloca a tónica nas soluções.

Foi assim no Hospital Distrital de Portalegre. Quis saber se as urgências estavam a funcionar bem e recebeu resposta positiva. Ouviu as queixas sobre a falta de médicos de especialidade. E em vez de lamentar ou condenar, uma pergunta: “E como resolveram?”.

Resolveram. Registou também a “boa ideia” dos concursos médicos mais espaçados no tempo, para evitar que quem é colocado no interior não vá para o litoral à primeira oportunidade.

Pelos corredores de duas enfermarias, espreitava porta a porta, metia-se com as jovens funcionárias de sorriso aberto, beijinho aqui e acolá. No Lar da Santa Casa da Misericórdia esteve hora e meia na conversa com os idosos, certificando-se que o ouviam.
 





pré-aviso de greve“É a utopia moderada pela realidade”

ao lado de Costa

“refazer-se”

Marcelo tem uma teoria




campanha de “coração”

“Eu tenho a seguinte teoria: é muito importante esta proximidade, mas que em rigor não caça votos nenhuns. As pessoas têm na cabeça já o voto, o voto ou não voto, mas espero que o voto. À distância de 9 ou 10 dias, já ninguém muda de voto”



Será mesmo assim? Marcelo Rebelo de Sousa quer ganhar à primeira volta. Tem dito, repetido e hoje insistiu. Encontrou um “perfume da felicidade” numa loja isotérica, elevou o tom para contar a descoberta aos jornalistas que logo aproveitaram a deixa para associar ao cheiro de Belém. Ele, prontamente.“Vai tudo bem encaminhado".  

Pelas pouco concorridas ruas de Portalegre, a TVI24 encontrou indecisos. Manuel Candeias e a mulher ainda não sabem em quem vão votar e acreditam no que ouvem dizer: que haverá segunda volta.
 



Baralhar para sair trunfo 

Marcelo tem, de resto, estendido o discurso para abranger o eleitorado cortado às fatias. Foi numa pastelaria na Guarda, atrás do balcão enquanto comia um bolo, que baralhou as cartas ideológicas e se autoproclamou “da esquerda da direita”, esforçando-se até por separar as águas em relação ao PSD e dispensando Passos nesta campanha de um ou outro (im)previsto partidário

O atual chefe de Estado é social-democrata e Dona Lurdes, 73 anos, ex-auxiliar de ação educativa, quer que o próximo seja diferente como pessoa. A política é outra história. 

 







Uma questão de "estômago"

Depois de ter lamentado três dias de campanha sem ir a uma farmácia, foi em terreno alentejano que o candidato hipocondríaco (adjetivo que ouvimos no lar que ia visitar a seguir), tratou das suas “comezainas”. “Tem toalhetes de álcool? E que novidades de omeoprazol?”.

 





Rumo a Belém?


É o que o candidato quer, mas há ainda agenda de campanha para cumprir e aviões para apanhar, por mais que diga que não é assim que conquista votos.

Nas ruas, o professor já mostrou que precisa só de si mesmo. E é sozinho que vai até ao Funchal, onde passará esta quarta-feira, quinto dia de campanha.

Nem todos os jornalistas o acompanham e deles se quis despedir: “Pensei que houvesse turnos entre vocês e viessem outros para a semana”.
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Não, na quinta-feira lá estaremos. Não há ainda programa detalhado. O candidato tem compromissos de doutoramento pelo meio e também ainda não decidiu onde vai encerrar a campanha. Promete, apenas, “algumas novidades para não estarem com a perceção que há muita repetição”. Vindo dele, sabemos que, quando menos se espera, alguma coisa acontece.