Marcelo Rebelo de Sousa começou o debate a elogiar Tiago Mayan Gonçalves pelo "espírito liberal", característico da cidade do Porto, mas termina-o a atacar o liberalismo em tempos de pandemia. 

Um defensor do espírito liberal, que vem do Porto, e, como sabe, é uma cidade desde sempre lutadora, mas sobretudo no século XIX, lutadora pela liberdade".

Foi desta forma que o atual Presidente da República cumprimentou o adversário. No entanto, o tema da pandemia foi puxado já na reta final e foi nesse momento que ficaram evidenciadas as diferenças entre os dois candidatos na corrida a Belém. 

Os países mais liberais, quando chegou a pandemia, o que é que fizeram os Estados Unidos da América? E o que é que fez o governo com o sector britânico? Injetou dinheiro na economia, injetou dinheiro em políticas sociais. Eu pergunto-lhe: a pobreza vai ser, é hoje, nos próximos tempos um problema, como é que se resolve com uma visão liberal a pobreza sem políticas sociais?", questionou Marcelo. 

Mayan Gonçalves assegurou que as políticas liberais não acabam com os apoios sociais, mas tem como objetivo "trazer prosperidade".

Porque estarmos todos pobres não é solução para a pobreza", respondeu. 

 

Eu quero é que o Estado use todo o sistema de saúde que há instalado em Portugal. E, por preconceito ideológico, desde março que o Ministério da Saúde não usou os privados", acrescentou. 

Aproveitando a preocupação com o aumento de surtos em lares, Marcelo Rebelo de Sousa questionou diretamente Tiago Mayan sobre como é que uma visão liberal da sociedade iria lidar com este setor, gerido maioritariamente por instituições particulares ou de solidariedade financiadas pelo Estado.

A área política de onde vem o senhor candidato votou praticamente sempre contra o estado de emergência. Não deixa de ser uma ironia falar dos mortos covid e não covid, quem se opôs sempre à declaração do estado de emergência. Eu pergunto-me: o que seria o saldo, em termos de mortes, não havendo estado de emergência?".

 

É muito fácil avançar com ideias do Estado liberal, daquele sonho, daquela utopia, e depois votar contra o estado de emergência. Os países ultra liberais que estiveram contra o estado de emergência acabaram todos a declará-lo”, reforçou.

Na resposta, o candidato liberal considerou que “o Presidente da República escolhe desconfiar dos portugueses” e passar “um cheque em branco ao Governo” e que o país “está a enfrentar a destruição económica e social”.

Os portugueses demonstraram, muito antes do Governo, que se preocupam, sabem que não íamos poder ter um Natal normal, um fim de ano normal, um Verão normal. O senhor Presidente é que andou a partilhar mínis, bolas de Berlim e a arranjar esquemas para ir para a praia”, acusou.

O fundador da Iniciativa Liberal adotou, ao longo de todo o debate, uma postura bastante crítica em relação ao atual Presidente da República, mas foram raros os momentos de interrupções entre ambos.

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Cláudia Évora