"Normalmente quando o Presidente da República está presente, os ministros não falam", foi assim que Marcelo reagiu após os jornalistas tentarem obter de Eduardo Cabrita uma reação ao acidente na A6 que envolveu o Ministro da Administração Interna e que resultou num morto.

Durante uma visita à Unidade Especial da PSP em Belas, Marcelo Rebelo de Sousa teve oportunidade para comentar o atropelamento fatal, destacando que "o essencial é a matéria de facto" e que "há várias instâncias" encarregues de a investigar.

"É um acidente com um veículo automóvel. Esse acidente, infelizmente, teve consequências mortais num cidadão. As autoridades investigam quem quer que seja que esteja no veículo automóvel e quem quer que seja o cidadão atingido", disse o Presidente da República, sustentando que a investigação deve decorrer e, a seu ver, não deve depender se ia alguém específico a conduzir.

"O que for provado é provado", rematou Marcelo, antes de dar oportunidade a Eduardo Cabrita de tecer um comentário sobre o incidente. No entanto, quando os microfones dos órgãos de comunicação social se moveram em torno do responsável pela pasta da Administração Interna, o ministro preferiu o silêncio.

"Não é, de todo, o momento adequado", referiu Cabrita, que estava um pouco atrás de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto o chefe de Estado prestava declarações à imprensa.

Não é este o momento adequado, porque normalmente quando o Presidente da República está presente, os ministros não falam", concordou Marcelo Rebelo de Sousa, que, no entanto, remeteu a decisão para o ministro: "Mas enfim, mas se quiser".

Perante a recusa do ministro, o chefe de Estado observou: "Não, entende que não".

As declarações do Presidente da República ocorrem um dia após fonte da Brisa ter dito que os trabalhos de manutenção na autoestrada A6 na zona de Évora estavam sinalizados.

A fonte da concessionária da autoestrada disse que “a sinalização dos trabalhos de limpeza realizados na berma direita da A6 estava a ser cumprida pela ArquiJardim”, a empresa responsável pela execução dessa intervenção.

A mesma fonte da Brisa acrescentou ainda que a sinalização estava “conforme os procedimentos de segurança adequados para este tipo de intervenção”.

No dia 18 de junho, um homem foi atropelado mortalmente, na Autoestrada 6 entre Évora e Estremoz, pelo carro onde seguia o ministro Eduardo Cabrita. 

 A vítima mortal, de 43 anos, era um trabalhador que estava, na altura, a fazer a manutenção da via.