O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou, este domingo, aos portugueses para se empenharem na aplicação das medidas de combate à pandemia. Em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, o Presidente apela ao “equilíbrio” e à “contenção”.

Temos de encontrar um equilíbrio entre a dramatização excessiva e a desdramatização excessiva. Este equilíbrio passa pelo comportamento das pessoas. Não passa pelo poder político”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, quando foi confrontado com a notícia da multidão que, este domingo, se juntou no Santuário de Fátima.

O Presidente lembrou que vem aí o início das aulas e que os números dos últimos dias não têm sido animadores: “O resultado de hoje não é bom. Não é bom, sobretudo porque estamos no fim de semana e normalmente aos fins de semana os resultados são mais baixos.”

Mas sublinha também que “o número de óbitos é relativamente baixo” e que a subida dos novos casos não está a pôr em causa “o controlo” do Sistema Nacional de Saúde.

Depois de amanhã começam a ser aplicadas as medidas do quadro de contingência à escala de todo o território continental. São medidas que só podem ter sucesso se as pessoas as aceitarem e souberem ajudar à sua execução. (…) Não há máquina de Estado que possa chegar a milhões de pessoas, de manhã à noite, durante não sei quantos dias.”

O Presidente sublinha que os bons comportamentos “são fundamentais para que os portugueses, sem confinamento, mas com contenção e com limitação, possam ajudar ao sucesso das medidas”.

Questionado se ponderava decretar um novo estado de emergência, caso os números subissem demasiado, o Presidente da República diz que é preciso “ir controlando o aumento de casos e a sua repercussão no Sistema Nacional de Saúde”. “Temos a nosso favor o facto de uma grande percentagem de casos ser entre os 20 e os 29 anos”, lembra.  

Temos de ir monitorizando dia a dia, semana a semana (…) para ir ajustando as medidas àquilo que se passar.”

Antes de falar da forma como Portugal está a reagir à pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre o apoio do primeiro-ministro à recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. Tal como tinha feito à tarde, o Presidente recusou comentar a polémica, mas não colocou de parte falar com António Costa sobre o assunto na audiência desta semana.

Manuela Micael