O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que continua a esperar pelos resultados entre Governo e partidos sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2022. Marcelo Rebelo de Sousa tem "a consciência de que estes dias, até ao fim da semana, são muito importantes", lembrando que a votação da proposta acontece já na próxima semana.

Continuo a desejar e a esperar que haja uma possibilidade de o Orçamento passar", afirmou aos jornalistas.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no antigo picadeiro real, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, em resposta a questões dos jornalistas, no final de um encontro com representantes de 'startups' portuguesas que vão participar na edição deste ano da Web Summit.

O chefe de Estado mostrou-se expectante em relação à evolução do "diálogo entre partidos e Governo" neste período que antecede a votação do Orçamento do Estado para 2022 na generalidade, agendada para a próxima quarta-feira, 27 de outubro.

Mantenho o mesmo desejo e a mesma expectativa, e vou manter o mesmo desejo e a mesma expectativa até ver os dados deste diálogo em curso entre partidos políticos fora do parlamento ou no quadro do parlamento", acrescentou.

Interrogado se tem falado com líderes partidários, respondeu: "Não, não tenho tido nenhum contacto com partidos neste momento. Eu deixei, depois de ter falado com eles, toda a liberdade e todo o à vontade para os diálogos, que são diálogos por um lado parlamentares e por outro lado partidários".

Questionado se admite ponderar novos prazos para eventuais eleições legislativas antecipadas em caso de chumbo do Orçamento do Estado, tendo em conta o processo eleitoral interno no PSD, Marcelo Rebelo de Sousa recusou falar agora nesse cenário.

Eu funciono na base do cenário de que não há chumbo do Orçamento. Portanto, não estou a funcionar, nem mesmo especulativamente, na base de outro cenário. Tenho só um cenário na cabeça", declarou.

A 13 de outubro, quando avisou que um chumbo do Orçamento para 2022 "muito provavelmente" conduziria à dissolução do parlamento, o Presidente da República estimou que as eleições legislativas antecipadas se realizariam em janeiro, que o novo Governo tomaria posse em fevereiro e que só em abril haveria Orçamento, o que conduziria a "seis meses de paragem na vida nacional".

O Governo continua a negociar com a esquerda e com o PAN a votação favorável do Orçamento do Estado, sendo que as conversas ainda não chegaram a bom porto.

PCP e Bloco de Esquerda já avisaram que, como está, o documento vai ser chumbado na generalidade.

António Guimarães