O Presidente da República admitiu que os empresários de Fátima estão a ser penalizados pela falta de grupos de peregrinos, nomeadamente da Coreia do Sul, Estados Unidos, Polónia ou Itália, na sequência da pandemia de covid-19.

“É evidente que temos aqui um problema não só para as estruturas turísticas, mas um problema para toda a atividade económica relativamente a Fátima e a Ourém - já não falo dos concelhos vizinhos -, que dependem muito do turismo, que infelizmente o externo já não pode viajar hoje”, constatou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República jantou em Fátima com um grupo de empresários, a presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), o presidente do Município de Ourém e o reitor do Santuário, para ouvir as preocupações sobre o impacto da pandemia de covid-19 no setor do turismo religioso do concelho.

Quanto aos peregrinos portugueses, o chefe de Estado referiu que “começaram a vir progressivamente”, tal como ele próprio o fez “por duas vezes”.

“Da primeira vez havia 100 pessoas em todo o recinto do santuário. Houve muitas a seguir ao desconfinamento e mais tarde haveria já umas centenas de pessoas espalhadas pelo recinto do Santuário”, adiantou.

O chefe de Estado salientou que Fátima é um “polo de turismo religioso”, mas também de turismo cultural, histórico e patrimonial, que “tem sofrido muito”.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que para que haja recuperação da economia é “fundamental que a pandemia não seja muito longa e que ofereça um horizonte de desagravamento, o que não tem acontecido neste momento”.

“Veremos como é que se passará daqui a umas semanas, daqui a um mês ou dois, para que a atividade económica e social possa ir regressando, nomeadamente o turismo, como é o caso aqui”, referiu, observando que o “turismo está ligado à restauração, a restauração ao comércio e o comércio aos serviços”, onde existem “muitas micro, pequenas e médias empresas”.

“Acabei de vir de um fórum na Galiza [Espanha], onde o tema foi esse e a preocupação das autoridades espanholas é enorme em relação ao turismo e às consequências da paragem do turismo, nomeadamente do turismo externo, na vida económica espanhola, como na vida económica portuguesa”, rematou.

Antes do jantar, o Presidente da República afirmou que questão da lotação do Santuário de Fátima para a peregrinação do 13 de outubro deve estar acertada com as autoridades de saúde.

“Vou falar com o senhor reitor para saber quantos [peregrinos] são e como serão, mas é uma realidade que deve estar a ser acertada com as autoridades sanitárias”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que no dia 13 de outubro estará, “em princípio” em Bruges, “numa homenagem ao dr. Mário Soares, na abertura do ano escolar do College of Europe em que ele é o patrono”.

“Como Presidente da República Portuguesa fui convidado para representar Portugal", acrescentou.

Empresários consideram que Santuário podia receber mais de 6.000 peregrinos

A presidente da Aciso – Associação Empresarial Ourém-Fátima, Purificação Reis, disse hoje que o Santuário de Fátima poderia ter uma lotação superior a 6.000 pessoas na peregrinação do 13 de outubro.

“Na perspetiva dos empresários, o número apontado dos 6.000 ficou muito aquém do esperado. O recinto do Santuário tem condições para receber um número muito mais elevado de peregrinos em absoluta segurança”, referiu Purificação Reis, antes de um jantar com o Presidente da República, em Fátima, no concelho de Ourém, distrito de Santarém.

Admitindo que “terão existido argumentos” que desconhece e que “levaram à fixação desse valor”, a empresária considerou que 6.000 peregrinos “é um número que se consegue ter no Santuário de Fátima em qualquer sábado ou domingo de um outro fim de semana”.

A presidente da Aciso sublinhou ainda que os visitantes do Santuário não vão para o recinto com “comportamentos efusivos”.

“Vão num espírito de oração, consigo próprios. Portanto, com todas as preocupações, cumprindo todas as regras, penso que existiriam condições para uma peregrinação com um número muito maior de peregrinos e em absoluta segurança”, reforçou.

Purificação Reis constatou que o 13 de outubro “seria a última grande peregrinação” e seria “desejável para este território” uma afluência de visitantes.

“Os empresários têm passado estes momentos particularmente difíceis e contavam com esta peregrinação com um volume superior de peregrinos a visitarem-nos. Temos que nos adaptar às condições existentes e fazer o nosso caminho da melhor forma possível”, resignou-se.

No jantar com Marcelo Rebelo de Sousa, a presidente da Aciso vai lembrar que Fátima tem “um turismo que depende essencialmente do turista estrangeiro, que são 71% do total de turistas que visitam Fátima”.

“De março a julho os dados estatísticos apontam para quebras superiores a 90% e, portanto, é lógico que os empresários estejam a viver momentos particularmente difíceis. O facto do senhor Presidente da República aceder a visitar-nos e a falar connosco mostra uma atenção a este segmento do turismo religioso tão importante para Portugal e ajuda-nos a dar voz às nossas preocupações”, destacou.

Purificação Reis espera “despertar a atenção” do Governo através de Marcelo Rebelo de Sousa, “para que possam existir algumas medidas de apoio à manutenção dos postos de trabalho e das empresas até se conseguir em 2021, esperemos, começar a sentir-se alguns sinais de retoma.”

/ AM - notícia atualizada às 23:08