O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, garantiu esta segunda-feira, na Praia, que dentro de menos de dois meses volta a Cabo Verde para nova visita oficial que “compense” o que “sofre” pela curta deslocação, sem abraços ou mergulhos.

O chefe de Estado português chegou ao Palácio Presidencial, na cidade da Praia, já passava das 13:00 locais (15:00 em Lisboa), para uma curta visita oficial de pouco mais de quatro horas, para manter a viagem, que anunciou em abril que iria realizar, mas que devido à situação da pandemia de covid-19 em Cabo Verde, foi encurtada.

Questionado pela Lusa sobre a ausência do habitual contacto popular que manteve nas três visitas oficiais anteriores, enquanto Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que essa ausência de contactos de rua hoje será compensada dentro de poucas semanas.

“Porque tenho já no meu pensamento regressar proximamente a Cabo Verde. É uma compensação afetiva, aquilo que sofro desta vez, por esta estada tão breve, tão curta. Vou compensar muito em breve daqui por umas semanas, um mês e meio, não mais de dois, vindo cá finalmente para abraçar cabo-verdianos e para fazer uma coisa que gosto sempre de fazer, que é mergulhar no mar cabo-verdiano”, afirmou.

“Prefiro o mar humano, mas tenho de admitir que a natureza também é uma das características excecionais de Cabo Verde”, acrescentou o Presidente português, que durante a tarde deixa a Praia com destino à Guiné-Bissau, igualmente em visita oficial.

A visita de hoje, disse ainda, surge depois de não ter sido possível a deslocação do homólogo cabo-verdiano a Lisboa, para a posse do seu segundo mandato.

A minha vontade seria tê-lo na minha posse, no dia 09 de março último, mas como sabem Portugal atravessava um período muito difícil em termos de estado de emergência. Foram muitos meses muito difíceis”, admitiu.

Ao receber o “velho e grande amigo” no Palácio Presidencial, o chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, destacou as relações entre os dois países e os presidentes.

“[Marcelo Rebelo de Sousa] é Presidente de um país que tem com Cabo Verde relações de muita amizade e de muita fraternidade. Amizade e fraternidade que sustentam relações de cooperação verdadeiramente excelentes. É pena que esta visita seja curta, neste ambiente ainda complicado de pandemia, mas é para nós sempre com muito gosto e com muito carinho que o recebemos neste país que também é seu, Cabo Verde”, afirmou Jorge Carlos Fonseca.

A visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Cabo Verde envolve ainda esta tarde encontros com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Carlos Santos, e com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Bastou SMS para vacinas seguirem para Cabo Verde

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou hoje que a cedência de 24.000 vacinas contra a covid-19 a Cabo Verde foi acertada pelos governos dos dois países numa semana e que bastou uma SMS do homólogo cabo-verdiano.

Em declarações no Palácio Presidencial, na cidade da Praia, após ter sido recebido pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, o Presidente português explicou que a antecipação da entrega das vacinas por Portugal, concretizada na sexta-feira, resultou do primeiro contacto entre ambos, há uma semana.

E chegaram as vacinas e chegou esta nova equipa dupla portuguesa [médica] e nisto houve uma convergência que demonstra o grau excelente das relações entre os dois países, mas também o empenho excecional do Presidente Jorge Fonseca (…) Primeiro mandou-me uma mensagem escrita (SMS), depois falámos telefonicamente e foi possível numa semana pôr de pé o que é um contributo mais”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que está de visita, esta tarde, a Cabo Verde.

Além das 24.000 doses de vacinas da AstraZeneca cedidas por Portugal, devido à situação pandémica em Cabo Verde, que tem enfrentado máximos de novos infetados e mortos por covid-19 desde abril, duas equipas médicas chegaram no domingo ao arquipélago para reforçar o apoio nos hospitais.

Marcelo Rebelo de Sousa explicou neste processo contou com a “reação imediata” do Governo e que “mais apoios haverá no futuro” por parte de Portugal.

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