Os presidentes português e moçambicano analisaram esta terça-feira dois casos por resolver em Moçambique de homicídio e desaparecimento de portugueses, num encontro oficial entre ambos, em Maputo.

"Passámos em revista" os dois casos, do homicídio de Inês Botas e do desaparecimento de Américo Sebastião, disse aos jornalistas, no final do encontro, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

A conversa entre os chefes de Estado serviu "para ver quais são os passos" que foram dados e os que se seguem no processo, bem como para aprofundar "o que o judiciário está a fazer", acrescentou, sem mais detalhes.

O Presidente moçambicano reiterou a vontade de seguir os processos, até hoje inconclusivos, o que tem motivado intervenções de familiares das vítimas e de diversas figuras do Estado português.

Nyusi disse aos jornalistas que espera encontrar-se em breve, por exemplo, com a esposa de Américo Sebastião, depois de ter sabido que ela se encontra em Moçambique, para continuar a acompanhar o assunto.

Hei de falar [com ela], temos falado muitas vezes", concluiu.

Inês Botas foi raptada e assassinada em 28 de dezembro de 2017 em Moçambique, onde trabalhava ao serviço da empresa portuguesa Ferpinta, na zona da Beira, centro do país.

Poucos dias após o crime, as autoridades judiciais da província de Sofala, centro de Moçambique, decretaram a prisão preventiva de três suspeitos, mas o julgamento continua por se realizar e um dos suspeitos já fugiu da prisão.

Américo Sebastião foi raptado em 29 de julho de 2016 em Nhamapadza, província de Sofala, centro de Moçambique, desconhecendo-se até hoje o que lhe aconteceu.

O empresário agrícola e madeireiro foi levado por desconhecidos numa viatura, quando se encontrava numa estação de serviço, numa altura em que a zona era palco de confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

"O Estado português tem proporcionado não só contactos permanentes" com os familiares, "mas também apoio, porque, tanto num caso como noutro” trata-se de “questões jurídicas", detalhou na segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa.

Questões jurídicas por esclarecer que no caso do homicídio de Inês Botas, em 2017, "dizem respeito aos tribunais, em termos de lentidão do processo", enquanto que sobre o desaparecimento de Américo Sebastião, em 2016, estão em causa "as investigações prévias à intervenção do tribunal", a cargo do Ministério Público moçambicano.

Marcelo sublinhou que Portugal tem tido no Presidente da República, primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros intervenientes "muito constantes no sentido de procurar proporcionar as melhores condições para o apuramento da verdade".

Os dois casos fizeram parte de uma nota publicada em 19 de dezembro na página oficial da Presidência da República portuguesa, em que o chefe de Estado se comprometeu a acompanhar a evolução dos processos.