O Presidente da República considerou um "êxito" a XXVII Cimeira Ibero-Americana, em Andorra, dizendo que foram aprovados sempre por unanimidade temas relevantes para a América Latina, como a situação sanitária, económica e o acesso às vacinas.

Esta posição foi transmitida por Marcelo Rebelo de Sousa no final da cimeira, numa conferência de imprensa em que esteve ladeado pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Esta cimeira constituiu um êxito da organização ibero-americana, em primeiro lugar por ter existido no meio da pandemia, por ter sido não só digital como também presencial, por se ter realizado no Estado mais pequeno da organização - um dos três europeus e da Península Ibérica", declarou.

Neste contexto, o chefe de Estado falou em seguida no "contributo" dado por Portugal para esse êxito, destacando aqui o ministro Augusto Santos Silva.

O Governo preparou muito adequadamente a cimeira, sob a liderança do primeiro-ministro. Mas com o empenho muito particular do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros foi possível acompanhar este processo de difíceis negociações em torno de temas que não eram fáceis", sustentou.

Segundo o Presidente da República, Andorra "excedeu-se para garantir a realização" da cimeira.

As conclusões foram aprovadas todas por unanimidade, com Estados muito diferentes e posições muito diferentes acerca de todos os temas possíveis neste momento em termos sanitários, económicos, sociais, políticos e culturais. Nesta cimeira, trataram-se de problemas concretos de pessoas concretas", designadamente "da saúde pública, da vacinação [contra a covid-19], da situação económica e financeira", salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

Neste ponto, o Presidente da República falou em "problemas particularmente graves para os países latino-americanos em termos de acesso a vacinas [contra a covid-19], situação económica e financeira".

Houve propostas concretas envolvendo instituições internacionais com a presença pelo digital do secretário-geral das Nações Unidas [António Guterres], que teve uma intervenção muitíssimo importante nos domínios das vacinas, económico-financeiro e do clima, liderando, como tem feito ao longo do tempo, estes três grandes pilares do nosso futuro próximo e longínquo", disse, repetindo um elogio que horas antes fizera ao antigo primeiro-ministro português.

Perante os jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que é motivo para se sair "feliz" de Andorra, também "porque a próxima cimeira será na República Dominicana, que tem assumido uma posição muito liderante em termos económicos, financeiros e sanitários".

Felizes porque a organização ibero-americana está viva, está forte. É uma organização única no mundo que junta dois continentes e duas línguas. Fala-se nela o espanhol e o português, juntando culturas, civilização, situações económicas, políticas e sociais muito diferentes", observou.

Para o chefe de Estado, a presença de Portugal nesta organização "confirma um acerto num ponto fundamental da política externa do país: A dimensão ibero-americana".

"Uma dimensão que junta os dois lados do Atlântico, numa área, o hemisfério sul, em que o português é a língua mais falada", acrescentou.

Costa elogia “multilateralismo” do Brasil e diz que Portugal fornecerá vacinas a Andorra

O primeiro-ministro, António Costa, elogiou esta quarta-feira o "compromisso pelo multilateralismo" assumido pelo Brasil na Cimeira Ibero-Americana e anunciou que Portugal vai juntar-se a Espanha e França no fornecimento de vacinas anti-covid-19 a Andorra.

Houve um apoio generalizado à proposta que o presidente do Conselho Europeu [Charles Michel] tem desenvolvido no sentido de haver um tratado internacional sobre as pandemias, de forma a que no futuro estejamos melhor preparados para evitar situações como a atual", declarou o primeiro-ministro, numa alusão a um dos temas centrais do discurso que proferira horas antes.

Em relação à vacinação, o líder do executivo disse que Portugal, através do mecanismo Covax, tem contribuído para a sua distribuição, designadamente fazendo uma reserva de cinco por cento das vacinas para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste.

"Tive hoje a oportunidade de transmitir ao Governo de Andorra, país que tem 10% da população de origem portuguesa, que iremos disponibilizar também vacinas, juntando-nos ao apoio que a França e Espanha já prestam" a este principado que não faz parte da União Europeia, referiu António Costa.

O primeiro-ministro considerou ainda que nesta cimeira foi "gratificante ouvir o Governo brasileiro", através de um responsável do Ministério das Relações Exteriores, "agradecer expressamente o grande esforço que a indústria portuguesa está a fazer parte assegurar o abastecimento de anestésicos fundamentais para a entubação de doentes de covid-19 em unidades de cuidados intensivos".

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