O Presidente da República discursa esta quarta-feira na 73.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU e deverá reiterar a defesa do multilateralismo e do diálogo, razão que o levou a não aplaudir Donald Trump.

"Como verão pela minha intervenção, a minha intervenção vai nesse sentido. E, portanto, em função do sentido da intervenção, é natural que, perante as várias intervenções de outros países, nós reajamos em obediência à nossa orientação fundamental", disse o próprio Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, na terça-feira.

O chefe de Estado justificou assim não ter aplaudido a intervenção do Presidente norte-americano na abertura do debate geral desta sessão da Assembleia-Geral da ONU, na qual Donald Trump rejeitou "a ideologia do globalismo", em favor da "doutrina do patriotismo".

Marcelo Rebelo de Sousa tem repetido, desde que chegou a Nova Iorque, no domingo, que Portugal subscreve a ação e as prioridades do secretário-geral da ONU, António Guterres, e está empenhado no multilateralismo, no combate contra as alterações climáticas, na resolução do problema das migrações e dos refugiados, no comércio livre, contra o unilateralismo e o protecionismo.

Hoje, o Presidente da República irá discursar pela segunda vez no debate geral entre chefes de Estado e de Governo dos 193 Estados-membros da ONU, no qual se estreou há dois anos, focado, na altura, na candidatura de António Guterres a secretário-geral desta organização.

A sua intervenção está marcada para hoje à tarde, já noite em Lisboa, no mesmo período em que irão discursar os chefes de Estado de Cabo Verde, da Ucrânia, do Quénia e da Polónia, entre outros.

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa tem previsto um encontro bilateral com o Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e irá participar na cimeira sobre o clima "Um Planeta", promovida pelo secretário-geral das Nações Unidas e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

O debate geral deste ano da Assembleia-Geral das Nações Unidas tem como tema "Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis".

O Presidente da República tem voo de regresso a Lisboa hoje à noite.

Em setembro de 2016, na 71.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, Marcelo Rebelo de Sousa fez um discurso em que defendeu que esta organização deveria ter como secretário-geral "um congregador de espíritos e de vontades", na linha de Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

António Guterres seria escolhido para o cargo menos de um mês depois, iniciando funções em 01 de janeiro de 2017.

No ano passado, foi o primeiro-ministro, António Costa, quem representou o Estado português na 72.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU.