O Presidente da República manifestou-se esta quinta-feira "feliz" com o anúncio de que o aeroporto complementar do Montijo poderá vir a ser em breve anunciado, instando a que a sua execução seja célere para recuperar tempo perdido.

Penso que hoje o senhor primeiro-ministro foi muito claro em dizer que faltava apenas um ponto de pormenor no domínio ambiental, de clarificação, para ser apresentada formalmente a decisão do Governo. E, sendo assim, fico feliz", começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à margem da IV Cimeira do Turismo, que decorreu hoje em Lisboa.

O chefe de Estado disse ficar feliz por ser, "não apenas uma reivindicação de toda a economia portuguesa, em particular do setor do Turismo, mas porque, a concretizar-se, significa que se vai “tentar recuperar tempo perdido”.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, a concretizar-se "essa decisão iminente", o desafio passa a ser outro: "A execução, que tem de ser rápida, para recuperarmos aquele tempo que outros ganharam à nossa custa".

Impacto ambiental

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta quinta-feira que apenas se aguarda o estudo de impacto ambiental para ser "irreversível" a solução aeroportuária Portela + Montijo, considerando que há consenso nacional sobre este projeto e que não há tempo a perder.

António Costa assumiu esta posição na sessão de abertura da IV Cimeira do Turismo Português, no Teatro São Luiz, em Lisboa, num discurso em que também defendeu a tese de que Portugal precisa de diversificar a oferta (sobretudo através de apostas nas regiões do interior) e aumentar a intensidade do turismo, rejeitando assim a ideia de introdução de condicionamentos ou limites à procura.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro respondeu à principal reivindicação feita pelo presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, sobre a necessidade de ampliar a oferta aeroportuária da Grande Lisboa.

Temos de corrigir hoje o erro que foi cometido há dez anos de a tempo e horas não termos feito o aeroporto de que já então necessitávamos. Há cerca de um ano o Governo assinou com os novos proprietários da ANA um acordo para definir uma opção estratégica fundamental, que está definida: Manter a Portela [Aeroporto Humberto Delgado] e crescermos com um novo aeroporto no Montijo", disse.

De acordo com António Costa, com o ritmo de crescimento da procura, "não há outra solução que não seja a do Portela + Montijo e muito brevemente estarão concluídas as negociações com a ANA".

Apesar de muito importante, aguardamos unicamente a decisão em matéria de impacto ambiental para podermos tornar a decisão absolutamente irreversível. Depois de o país se ter dilacerado décadas em estudos e em alternativas sobre o local, não podemos agora perder tempo e, acima de tudo, não podemos dar tempo para que o consenso nacional se esgote mais uma vez. Por isso, temos de decidir, temos de avançar e temos de fazer", declarou o primeiro-ministro.