Foi com a cronologia dos momentos mais marcantes, dos mais de 100 anos da República portuguesa, que o Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou o seu discurso de 5 de outubro, da República, da democracia que é "obra de todos os dias. Nunca autocontemplativa. Nunca deslumbrada (....) antes obra que aprende com as lições do passado."

E continua Marcelo com o recado: "que não comete os mesmos erros ou se resigna às mesmas omissões."

"Mais de um século de lições úteis para todos", afirma Marcelo, sem esquecer as crises e o cataclismo financeiro. 

Lições que, segundo o chefe de Estado, mostram que "não há democracia sem democratas. Não há verdadeira democracia sem direitos do homem e liberdade. Não há verdadeira democracia sem condições económicas e sociais, que lhe confiram legitimidade de exercício (...) sem combate às desigualdades, à pobreza, à corrupção."

E de Portugal para a Europa, mais um recado: "Não há democracia sem uma Europa muito mais exigente para consigo mesma."

Para o responsável, Portugal terá que continuar este exercício da democracia, concretamente nos casos daqueles que "partiram e querem voltar. Para oferecer horizontes que nos poupem a tentações radicais. Egoístas. chauvinistas ou xenófobas."

O voto poderá ser, no ano que nos espera, um caminho fundamental na Europa, como em Portugal, para a expressão dessa vontade coletiva, mas não é o único. Todos os dias se constrói ou destrói a democracia”, acrescenta o Presidente.

O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa fica marcado pela presença dos professores em protesto. Uma manifestação que continua a espelhar a falta de consenso com o Governo nas negociações em curso. Ainda esta quinta-feira a paralisação fechou  parte das escolas a norte do país. O Ministro da Educação diz que modelo de recuperação do tempo de serviço dos docentes surge na “sequência do processo negocial” entre o Executivo e os sindicatos, um processo que classificou de “longo”