Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu, este sábado, que houve "desleixo" por parte do ministério da Justiça no caso do procurador José Guerra. Em causa estão dados falsos apresentados pelo Governo à União Europeia, sobre o magistrado preferido para procurador europeu, José Guerra, depois de um comité de peritos ter considerado Ana Carla Almeida a melhor candidata para o cargo. 

Na perspetiva de Marcelo Rebelo de Sousa "há três ou quatro pontos que são lamentáveis" neste caso, o primeiro dos quais "atribuir uma qualidade que uma pessoa não tem" e ainda dizer que dirigiu uma determinada investigação quando a representou em tribunal, o que é diferente.

O próprio veio hoje reconhecer que não liderou a equipa que investigou a Junta Autónoma das Estradas. Como é que possível aparecer no currículo essa realidade? E como é possível haver uma nota, bem sei que é uma nota interna, mas é um tema sensível, enviada diretamente de uma direção geral para uma embaixada, porque a REPER é uma embaixada?", condenou ainda o chefe de Estado, considerando que houve "um desleixo".

Questionado sobre as responsabilidades políticas da ministra da Justiça, o Presidente da República afirmou que só poderá responder "depois de apurar exatamente tudo o que se passou".

Tal como Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de começar por sublinhar, também a candidata Marisa Matias ressalvou que estava a responder não tendo ainda oportunidade de ver a entrevista que a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, deu à RTP momentos antes do debate para as presidenciais.

Marisa Matias diz que o caso "é obviamente muito grave" e que "deve exigir-se esclarecimentos".

É obviamente uma situação muito grave. Não consigo encontrar uma razão para se mentir em currículos. A única razão é para ser apanhado porque inevitavelmente é o que vai acontecer. Acho que se deve exigir esclarecimentos, mas gostava de ter ouvido a senhora ministra para poder falar com mais conhecimento de causa", criticou Marisa Matias.

Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias enfrentaram-se este sábado naquele foi o primeiro debate televisivo das Eleições Presidenciais, que acontecem no final do mês de janeiro. 

Também este sábado, a ministra da Justiça criticou o "empolamento" do caso do procurador e diz que a nomeação de José Guerra foi "rigorosamente transparente".

"É importante que este Governo chegue a 2023"

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ainda, durante o debate, ver mais entendimentos à esquerda nos Orçamentos do Estado para 2022 e 2023.

"É importante que o Governo chegue a 2023", completou, sublinhando que o Presidente "deve evitar crises políticas".

Rafaela Laja / com Lusa