Fidel era um anfitrião para Presidentes e outras personalidades que visitavam a ilha caribenha. O líder histórico encontrou-se com personalidades como João Paulo II, Tran Dai Quang, Evo Morales, Nicolas Maduro, Hugo Chávez, Papa Francisco, e com os portugueses António Guterres, Jorge Sampaio e Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República português esteve com o comandante a 26 de outubro, durante a sua visita a Cuba e foi um dos últimos Chefes de Estado a encontrar-se com o histórico líder cubano.

Após o encontro, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Fidel Castro assinala “um certo tempo”, lembrando que os jovens da sua geração "acompanhavam à distância" a figura do líder cubano, "uns concordando muito, outros discordando muito".

Como sabem, eu não era propriamente dos apoiantes, não direi da personagem em si mesmo, mas da política que representava. Em qualquer caso, há na vida personalidades com as quais concordamos ou não concordamos, mas que assinam um certo tempo, isso é um facto", acrescentou.

Depois do encontro com Marcelo, há precisamente um mês, Fidel apareceu pela última vez em público a 15 de novembro, quando recebeu o presidente vietnamita, Tran Dai Quang.

Os mais assíduos nas visitas a Castro foram os aliados bolivarianos, os Presidentes da Bolívia e da Venezuela, Evo Morales e Nicolas Maduro (e o seu antecessor Hugo Chávez) respetivamente, mas também recebeu o papa Francisco em setembro de 2015, o chefe de Estado francês François Hollande quatro meses antes e o patriarca ortodoxo russo Kiril em fevereiro deste ano.

Durante a última década, fez poucas aparições públicas, foi dado como morto várias vezes na Internet e nas redes sociais e manteve um contacto regular com o mundo através dos seus artigos.

Fidel Castro é, foi e será uma das mais marcantes figuras da segunda metade do século XX.

Nasceu Fidel Alejandro Castro Ruz, a 13 de agosto de 1926 em Birán, filho de um camponês galego que fez fortuna na ilha e da sua segunda mulher. Estudou Direito na Universidade de Havana e quando concorria a um lugar como deputado, com 26 anos, deu-se o golpe de Fulgencio Batista que suspendeu as eleições.

Em 1953, liderou o falhado assalto ao quartel Moncada, pelo qual seria condenado a 13 anos de prisão, tal como o irmão mais novo, Raúl. Por pressão popular, acabam exilados no México - onde Fidel conheceu o argentino Che Guevara.

É a partir do México que decide lançar a revolução para tomar o poder em Cuba. A bordo de um velho iate de nome Granma ("avózinha") consegue desembarcar perto de Santiago de Cuba em 1956. Com os seus homens, refugia-se na Sierra Maestra, de onde trava uma luta de guerrilha durante anos, até que entra vitorioso em Havana, no último dia de 1959.