O Presidente da República já está em Luanda para uma visita de Estado de quatro dias que começa oficialmente na quarta-feira, dividida entre a capital angolana e as províncias de Benguela e Huíla.

À chegada, em declarações aos jornalistas, considerou "uma insignificância" as notícias sobre os contactos ministeriais na sequência dos incidentes no bairro Jamaica, no Seixal.

Verdadeiramente, o que neste momento é significativo não são os irritantes do passado, nem os insignificantes do presente, são os importantes do futuro. E os importantes do futuro são as questões concretas da vida das angolanas e dos angolanos, das portuguesas e dos portugueses, desse somatório de entre 200 mil a 300 mil que vivem cruzados nos dois territórios e que têm problemas concretos".

Defendeu que "a diferença entre um político e um estadista é que o político prende-se aos irritantes e aos insignificantes e o estadista olha para os importantes".

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que regressa a Angola com "uma confiança baseada nos passos dados" nos últimos meses no plano político e diplomático, que no seu entender "são muito sólidos, são muito firmes, são muito concretos e que permitem apontar para o futuro com essa confiança".

O Presidente português decidiu quebrar o protocolo logo após sair do aeroporto ao deslocar-se inesperadamente para a bancada vip do carnaval angolano.

Acompanhado do ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, o chefe de Estado português foi levado para a quarta fila da bancada vip onde permaneceu inesperadamente também completamente discreto, sem que a multidão notasse a sua presença.

Com o pôr do sol de frente para a bancada, Marcelo Rebelo de Sousa permaneceu cerca de 30 minutos sempre acompanhado pelo governador da província de Luanda, Sérgio Luther Rescova.

A quebra de protocolo gerou grande confusão entre as equipas de segurança e os jornalistas que o acompanham.

Deixou o palanque cerca de 18:00 locais (17:00 em Lisboa), seguindo de imediato para uma unidade hoteleira em Luanda, de onde partirá para o jantar do sexagésimo quinto aniversário do seu homólogo angolano, João Lourenço.

Marcelo viajou desde Lisboa num Falcon da Força Aérea Portuguesa, que aterrou no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro pelas 16:50 locais (15:50 em Lisboa) desta terça-feira, em Luanda, após escalas em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe.

À chegada, o chefe de Estado foi recebido na pista do aeroporto pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, e pelo governador da província de Luanda, Sérgio Luther Rescova, com alas militares de cortesia.

O Presidente português chegou esta terça-feira à capital angolana para estar presente no aniversário do presidente de Angola, João Lourenço, que completa 65 anos.

O programa da sua visita de Estado começa na quarta-feira de manhã, com a deposição de uma coroa de flores no Memorial Agostinho Neto e um encontro com João Lourenço no Palácio Presidencial, onde haverá igualmente conversações ministeriais, seguido de uma conferência de imprensa conjunta.