Detido esta terça-feira, por suspeitas de crimes como burla qualificada, fraude fiscal, branqueamento de capitais e administração danosa, Joe Berardo continua a ter o título de comendador, condecoração recebida em 2004 durante o mandato de Jorge Sampaio, e continua a ser detentor da Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique

Durante uma visita à Unidade Especial da PSP em Sintra, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que "há um processo em curso" que visa avaliar a retirada das condecorações ao empresário madeirense após as declarações polémicas feitas na Assembleia da República. 

Este processo foi suspenso pela pandemia, diz o Presidente da República que pede que se deixe a "tramitação seguir", sendo que esta é da competência do Conselho da Ordem, a quem cabe a última palavra.

"Eu não comento processos judiciais em curso. Recordo o papel fundamental da Comissão de Inquérito e da persistência da Caxa-Geral de Depósitos em ir o mais longe possível para recuperar o que tinha a recuperar", afirmou Marcelo, reiterando que é necessário que a justiça afira as responsabilidades.

A TVI sabe que, além de Joe Berardo, também o advogado André Luiz Gomes foi detido. A Procuradoria-Geral da República, segundo nota publicada no site, confirma na mesma linha as duas detenções.

Em causa, a forma como depois montou um esquema de dissipação de património e dinheiro, através de empresas-veículo, para conseguir escapar aos credores: além da Caixa, deve ainda milhões de euros a outros bancos. 

Acredita a investigação que esse créditos ruinosos na caixa - de 350 milhões de euros para compra de ações do BCP, que logo depois desvalorizaram - foram conseguidos através de uma relação privilegiada com o Governo que na altura era liderado por  José Sócrates.

O Ministério Público estabelece ainda uma relação entre a concessão desses créditos e o facto de ter sido celebrado com o Governo um acordo para que 862 obras de arte da fundação Berardo fossem expostas no Centro Cultural de Belém.