Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, nesta terça-feira, nos 111 anos da implantação da República, que marcam também o seu quinto discurso como Presidente no 5 de Outubro, que é preciso criar "um Portugal mais inclusivo", que pense "em todos os portugueses", nomeadamente agora que o país tem em mãos uma importante ajuda económica de recuperação pós-pandemia.

Queremos um 5 de Outubro data viva? Então criemos um Portugal mais inclusivo, até porque o Portugal que somos nunca vencerá os desafios da entrada a tempo no novo ciclo económico e na multiplicação do conhecimento com dois milhões de pobres e alguns mais em risco de pobreza. Uma pobreza que, como dizia Alfredo Bruto da Costa, existe e passa de geração para geração, porque as desigualdades sociais afastam pessoas, classes, setores, regiões", afirmou.

Para o chefe de Estado, "o Portugal que somos nunca vencerá os desafios da economia e do conhecimento se não soubermos assumir sem traumas nem  complexos que a nossa identidade nacional é feita da valorização dos nosso emigrantes espalhados pelo mundo, cerca de seis milhões, e também dos imigrantes, 600 mil nas estatísticas, e num caso como noutro bem mais nos descendentes".

A "data viva" que se quer do 5 de Outubro, insistiu Marcelo, implica que Portugal não deixe ninguém para trás naquela que considerou ser uma oportunidade única de pensar em todos os portugueses, com um Plano de Recuperação e Resiliência pós-pandemia de 16,6 mil milhões de euros, aprovado em junho pela União Europeia.

Uma data viva quer dizer um Portugal inclusivo e, por isso, mais justo, capaz de não perder o novo ciclo de criação de riqueza e porque mais rico mais inclusivo e mais justo. Uma data viva quer dizer um Portugal mais conhecedor, mais qualificado, mais culto e, por isso, mais rico, mais inclusivo, mais justo. Superada a pandemia temos nos anos próximos uma ocasião única e irrepetível de conduzir destinos, de refazer esperanças, de renovar sonhos, a pensar em todos os portugueses e, desde logo, nos que mais desesperam, e neles os mais jovens, que são quem mais sofre se essa ocasião passar ao nosso lado sem a assumirmos. Não a podemos perder, não a vamos perder", concluiu o Presidente da República.

Catarina Machado