O Presidente da República apelou hoje à defesa e ao aprofundamento do projeto europeu, desde logo, com a conclusão da União Económica e Monetária, para honrar o mandato de Mario Draghi à frente do Banco Central Europeu (BCE).

Marcelo Rebelo de Sousa falava num jantar oficial no Palácio do Quirinal, em Roma, oferecido pelo seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, fechado à comunicação social, inserido na sua visita de Estado a Itália.

Na sua intervenção escrita, a que a agência Lusa teve acesso, o chefe de Estado considerou que se vive um tempo de "dúvidas, inquietações e convulsões", com "nacionalismos extremistas e populismos demagógicos", em que o "projeto de paz, desenvolvimento e coesão" europeu ganha ainda mais importância.

Segundo o Presidente da República, há que "assegurar que o desenvolvimento coeso e harmonioso do espaço europeu continuará a ser um objetivo primordial da União, completando o que importa completar, nomeadamente na União Económica e Monetária, e assim honrando o inestimável legado de Mario Draghi à frente do BCE".

O economista italiano Mario Draghi foi presidente do BCE entre 2011 e o final do mês passado. Enquanto exerceu essas funções, Marcelo Rebelo de Sousa convidou-o a participar numa reunião do Conselho de Estado, para falar sobre a situação económica e financeira europeia, em abril de 2016, e condecorou-o com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique, em junho deste ano.

"Precisamos, dentro da União, todos juntos, de ter coragem"

O presidente de Itália, Sergio Mattarella, considerou que o projeto europeu enfrenta um momento decisivo em que é preciso coragem e manifestou confiança na futura presidência portuguesa da União Europeia, em 2021.

"Precisamos, dentro da União, todos juntos, de ter coragem. Também por esta razão, olhamos com confiança para a presidência de turno do Conselho da União Europeia que Portugal assumirá no primeiro semestre de 2021, certos de que se tratará de um momento no qual a colaboração se tornará ainda mais estreita", afirmou.

Na sua intervenção escrita, a que a agência Lusa teve acesso, Sergio Mattarella disse que Portugal e a Itália têm "sensibilidades comuns" em relação ao futuro da União Europeia.

"Estamos, ambos, conscientes de que chegámos a uma viragem decisiva no percurso de integração, para podermos, completando a arquitetura da União, satisfazer plenamente as necessidades e os desejos dos nossos cidadãos e das nossas comunidades", acrescentou.

O Presidente português chegou a Itália na segunda-feira, para uma visita de Estado que termina na quarta-feira, em Bolonha, em que está acompanhado pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, e pelos deputados à Assembleia da República Jorge Lacão, do PS, Adão Silva, do PSD, e Bruno Dias, do PCP.

Sergio Mattarella, de 78 anos, foi eleito Presidente de Itália em 31 de janeiro de 2015 para um mandato de sete anos. É o 12.º chefe de Estado de Itália.