O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta sexta-feira que Portugal e a Índia devem colaborar multilateralmente no desafio do combate às alterações climáticas e na promoção da paz e dos direitos humanos. Marcelo Rebelo de Sousa também anunciou esta sexta-feira que a Índia poderá juntar-se ao contrato de produção de aeronaves KC-390 e disse que empresários indianos lhe transmitiram vontade de investir em Portugal.

O chefe de Estado foi recebido pelo seu homólogo indiano, Ram Nath Kovind, no Palácio Presidencial, em Nova Deli, no final de uma cerimónia oficial de boas-vindas com honras militares, durante a sua visita de Estado à Índia.

Há toda uma colaboração multilateral pensando na paz, pensando no diálogo, pensando nas mais jovens gerações, no desenvolvimento sustentável, no desafio das alterações climáticas, mas também no direito internacional e nos direitos humanos", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, com Ram Nath Kovind ao seu lado.

Segundo o Presidente da República, no plano bilateral, "há um passo importante a dar" com o reforço da "cooperação económica, tecnológica, científica e cultural".

Eu agradeço ao presidente Kovind este convite e a forma tão calorosa, amável e tão amiga como me recebeu. E faço-o em nome de todos os portugueses", acrescentou.

O jornalista Surgir Kamari, do canal público de televisão indiano Doordarshan News, estava preparado para fazer a pergunta da praxe ao chefe de Estado convidado sobre as suas "expectativas para esta visita", mas não teve oportunidade para isso.

Ao aproximar-se do púlpito no exterior do Palácio Presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa tomou de imediato a palavra, falando primeiro em inglês e depois em português, com a mesma mensagem.

O Presidente da República começou por assinalar que esta "é a primeira visita de Estado desde há 13 anos" e considerou que "significa uma mudança muito grande no mundo e nas relações entre os dois países".

Depois, referiu que "a Índia é um poder global, podemos dizer um superpoder, e Portugal uma plataforma entre culturas, civilizações, oceanos e continentes, e o atual secretário-geral das Nações Unidas é português".

Isso mostra como podemos multilateralmente trabalhar pelo mundo, pela paz no mundo, pelo desenvolvimento sustentável, pelas gerações mais jovens, pelo direito internacional e pelos direitos humanos. Mas também bilateralmente vamos melhorar a nossa cooperação, economicamente, tecnologicamente, cientificamente, culturalmente", acrescentou.

Marcelo esteve depois no Museu Nacional, em Nova Deli, após ter tido um encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que considerou ter sido "muitíssimo positivo" e "muito útil", com a assinatura de "vários acordos".

Segundo o Presidente, na agenda deste encontro estavam "objetivos muito concretos, objetivos em termos económicos, e aí significando a abertura aqui no mercado da Índia a empresas portuguesas, sobretudo de infraestruturas, construção, tecnologia mais avançada, telecomunicações, águas".

Depois, também colaboração, cooperação no domínio da Defesa, porventura no domínio concreto, a três, com o Brasil, no caso, de um contrato já celebrado para o fornecimento do KC-390, e da eventual junção da Índia em termos de produção naquilo que é um encontro entre Portugal e o Brasil", acrescentou.

Numa entrevista ao jornal indiano The Times of India, publicada esta sexta-feira, Marcelo destacou que as relações com a Índia serão um "ponto central" da presidência portuguesa da União Europeia.

Quando Portugal assumir a presidência do Conselho da União Europeia (UE) no primeiro semestre de 2021 estou certo de que, como o Governo português já deixou bem claro, as relações UE/Índia serão um ponto central da agenda", declarou o chefe de Estado.

O Presidente referiu ainda que Portugal tem lutado por relações mais estreitas entre a Índia e a União Europeia e que "foi durante a presidência portuguesa da UE no ano 2000 que se realizou a primeira cimeira de sempre UE/Índia".