O Presidente da República prometeu este domingo que Portugal continuará a apoiar as prioridades de António Guterres como secretário-geral da ONU no seu novo mandato que considerou que começa "cheio de esperança".

Vamos ajudar e estamos a ajudar, permanentemente, em tudo: No clima, nas migrações, no combate ao terrorismo, nas missões humanitárias", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Nova Iorque, onde chegou no sábado e ficará até quarta-feira para participar na 76.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O chefe de Estado, que este domingo se vai reunir com António Guterres, defendeu que Portugal já tem estado "a ajudar, com um papel fundamental, dando até o exemplo, no financiamento das Nações Unidas, na disponibilidade para colaborar nas missões que vão surgindo".

Segundo o Presidente da República, o encontro de hoje será "um encontro de esperança", porque acontece no "começo de um novo mandato de cinco anos cheio de esperança quanto ao papel do secretário-geral e ao papel das Nações Unidas na construção de um mundo melhor".

É muito importante porque o secretário-geral acaba de ser reeleito, está a começar um novo mandato e tem as prioridades certas. É o homem certo no lugar certo no momento certo. E essas prioridades são todas apoiadas por Portugal", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se expectante em "ouvir a perspetiva do secretário-geral sobre o mundo neste momento, como é que ele vê a concretização das suas prioridades" e de que modo Portugal pode contribuir para esses objetivos.

A reunião com António Guterres está marcada para as 17:20 locais (22:20 em Lisboa), no gabinete do secretário-geral da ONU.

No sábado, à chegada aos Estados Unidos da América, o Presidente da República defendeu um tratado contra as pandemias e uma reforma da Organização Mundial da Saúde(OMS), num quadro de reforço do diálogo e das organizações globais, e que o terrorismo, o clima, as migrações, as pandemias e as crises económicas e sociais não podem ser enfrentados isoladamente por nenhum país.

Marcelo Rebelo de Sousa irá intervir perante a Assembleia Geral da ONU na terça-feira, primeiro dia do debate geral entre chefes de Estado e de Governo dos 193 Estados-membros das Nações Unidas, a que Portugal aderiu em 1955.

Sobre o seu discurso, o chefe de Estado adiantou no sábado que irá "saudar muito especialmente o secretário-geral [da ONU, António Guterres] reeleito por aclamação", considerando que isso constitui "um prestígio para Portugal e importa sublinhá-lo" e que irá "apoiar as prioridades dele para os próximos cinco anos".

Há três meses, quando António Guterres prestou juramento para um segundo mandato de cinco anos como secretário-geral da ONU, em 18 de junho, Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente e falou perante a Assembleia Geral elogiando a ação do antigo primeiro-ministro português à frente desta organização e o seu empenho no multilateralismo.

O segundo mandato de António Guterres como secretário-geral da ONU decorrerá do início de 2022 até ao fim de 2026.

Desde que Guterres iniciou o seu mandato à frente da ONU, em 01 de janeiro de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou sucessivas vezes o apoio de Portugal à sua agenda de defesa do multilateralismo, do diálogo e do combate às alterações climáticas – em divergência com as posições do anterior Presidente norte-americano, Donald Trump, que iniciou funções na mesma altura, janeiro de 2017.

Em dezembro de 2020, o Presidente português anteviu "um horizonte de regresso ao multilateralismo" e um "novo tempo" para a ONU liderada por António Guterres, depois de "tempo perdido nos anos recentes".

Nessa altura, Donald Trump tinha sido derrotado há cerca de um mês, por Joe Biden, atual Presidente dos Estados Unidos da América, nas eleições presidenciais norte-americanas.

Agência Lusa / CE