O Presidente da República foi entrevistado esta segunda-feira por Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI. Começando a conversa pela polémica nas Forças Armadas, depois de o ministro da Defesa ter preparado a saída do Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), Mendes Calado, tendo sido imediatamente apontado para o lugar o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

De imediato, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que esse é um assunto da competência exclusiva do chefe de Estado. Agora, o Presidente da República dá como esclarecidos os "equívocos" surgidos no caso.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a polémica, que teria surgido depois de Mendes Calado ter, supostamente, defendido uma posição contrária à mudança da lei militar, aprovada no Parlamento.

Como a demissão correspondia à realidade, pensei como reagir. Quem exonera é o Presidente da República", lembrou, a partir do Palácio de Belém.

"Não houve demissão nenhuma, nem podia haver", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, garantindo que nunca demitiu Mendes Calado.

Na sequência do caso surgiu uma reunião de emergência entre Presidente da República, primeiro-ministro e ministro da Defesa. Recusando contar o teor das conversas mantidas em Belém, lembrando até que "nunca houve uma fuga de informação" de reuniões entre as partes, explicou que a situação ficou resolvida: "Não havia exoneração, não havia substituição, ponto."

Questionado por Miguel Sousa Tavares sobre como fica a situação política, nomeadamente a relação entre CEMA e ministro da Defesa, Marcelo Rebelo de Sousa fala em estabilidade, o que "significa que não há alteração à situação que havia antes de saírem as notícias".

As lições das autárquicas

Na sequência dos resultados das eleições autárquicas, que culminaram na vitória do PS, mas num reforço dos resultados do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa diz que é necessário fazer uma "leitura nacional", e lembrando que estas eleições surgem exatamente no meio das legislativas de 2019 e 2023, o Presidente da República diz que deve haver estabilidade.

Até às legislativas, para mim é uma evidência que deve haver estabilidade política governativa", referiu, lembrando a pandemia e questões socieconómicas.

Sobre a existência de oposição, o chefe de Estado vincou a necessidade de existir uma alternativa forte, que "se prepare para competir em termos de poder ganhar, se for caso disso, nas legislativas".

Tudo o que depender do Presidente da República deve ser feito para que, daqui até 2023, haja estabilidade governativa", disse.

Questionado por Miguel Sousa Tavares se surgiu uma alternativa no dia 26 de outubro, Marcelo Rebelo de Sousa aponta a uma reflexão, que tem várias leituras possíveis.

Para que essa alternativa "plausível e forte" possa existir no centro direita, o Presidente da República diz que não estão em causa os líderes, mas sobretudo a estratégia, apontando para os congressos e diretas que aí vêm, nomeadamente de PSD e CDS.

Sobre as possíveis soluções para os partidos em causa, Marcelo Rebelo de Sousa não comenta, dizendo que, se há crítica que lhe podem fazer, é de "ser estabilizador a mais".

António Guimarães