O Presidente da República criticou as entidades responsáveis pela organização da festa do título do Sporting por não terem prevenido os ajuntamentos que se verificaram ontem em Lisboa.

"Quem deve prevenir, não conseguiu prevenir. Foram as entidades responsáveis por isso e todos os cidadãos."

Marcelo Rebelo de Sousa felicitou os sportinguistas pelo título de campeões nacionais, mas admitiu que "foi uma noite que não correu tão bem em termos de saúde pública", com grandes ajuntamentos e adeptos sem máscara.

"Vamos esperar que, daqui por 15 dias ou 3 semanas, não tenhamos notícias menos boa por causa da euforia que ontem tomou as ruas de Lisboa. Temos que desejar que isso não venha a agravar um processo pandémico no concelho de Lisboa, fruto daquela emoção."

O Presidente apelou a que as imagens de ontem não se tornem num "padrão" para os próximos tempos. 

“Se toda a gente começa, no plano político, religioso, desportivo e cultural, a entender que desconfinamento significa não observar regras nenhumas, isso pode levar a situações que não são boas para ninguém.” 

Marcelo disse "compreender" as emoções dos adeptos do Sporting, mas espera que isto "não tenha custos" para os restantes lisboetas.

Pede "esforço para ajudar" no combate à pandemia por estar "mais próximo o fim"

O Presidente da República apelou aos portugueses a um maior esforço na prevenção da covid-19, considerando que o fim do processo pandémico "está mais próximo".

O que peço é que celebrem o que têm a celebrar, festejem o que têm a festejar, mas façam um esforço para ajudar. São mais umas semanas e uns meses, aquilo que a vacinação está, à sua maneira, a ajudar de forma decisiva", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante uma visita à Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, disse que o processo de vacinação está a decorrer "a galope" para que população fique "mais protegida".

Neste período vamos fazer um esforço para os indicadores não piorarem de tal maneira que tenhamos de fechar concelhos, de fazer recuar concelhos, porque aí as pessoas explodem, aí as pessoas não compreendem, não aceitam, mas têm de pensar um bocadinho nisso na altura da celebração", alertou.

O chefe de Estado disse compreender que "seja difícil prevenir e disciplinar milhares de pessoas que, de repente, em vários pontos do país, querem desconfinar de forma mais exuberante".

É assim a vida e quanto mais se espera mais se quer celebrar, mas façamos um esforço", observou.

 

Agora que estamos mais próximo do fim é compreensível que as pessoas estejam fartas, que queiram desconfinar, estar com os familiares e com os amigos e celebrar o que não celebraram durante mais de um ano. Não celebraram devidamente o Natal, a Páscoa, as festas pessoais, e que queiram agora celebrar tudo ao mesmo tempo para recuperar o tempo perdido", acrescentou.

Catarina Pereira / com Lusa - Notícia atualizada às 14