Marcelo Rebelo de Sousa dedicou, em exclusivo, o seu discurso do 25 de Abril à Revolução, aos capitães, à guerra colonial, à história e às "suas lições".

Um discurso surpreendente, pela lição de história, que o Presidente considera necessária, como forma de compreender o passado e o presente.

É prioritário estudar o passado e nele dissecar tudo, o de bom e de mau", defendeu o Presidente da República, neste domingo, na sessão solene na Assembleia da República.

É preciso, por isso, fazer "história da História" e retirar "lições de uma e de outra, sem temores nem complexos, com a natural diversidade de juízos própria da democracia".

Mas que se não transforme o que liberta, e toda a revisitação, por mais serena liberta ou deve libertar, em mera prisão de sentimentos, úteis para campanhas de certos instantes, mas não úteis para a compreensão do passado, a pensar no presente e no futuro", pediu.

Em nenhum momento, o Presidente falou sobre os temas da atualidade, como aconteceu com os partidos políticos, nomeadamente quando se referiram à justiça e ao combate à corrupção.

Que os anos que faltam até ao meio século do 25 de Abril sirvam a todos nós para trilharmos um tal caminho, como a maioria dos portugueses o tem feito nas décadas volvidas, fazendo de cada dia um passo, mais as glórias que nos honram e os fracassos pelos quais nos responsabilizamos, e bem assim no construir hoje coesões e inclusões e no combater hoje intolerâncias pessoais ou sociais."

O 25 de Abril "foi feito para libertar", sublinhou Marcelo, insistindo que não se façam julgamentos do que aconteceu no passado aos olhos do presente.

Que o 25 de Abril viva sempre, como gesto refundador da história, sem álibis e omissões. Não há, como nunca houve, um Portugal perfeito, como não há, nunca houve, um Portugal condenado. Houve, há e haverá sempre um só Portugal, um Portugal que amamos e de que nos orgulhamos, para além dos seus claros e escuros, também porque é nosso, porque nós somos esse Portugal. Viva o 25 de Abril, viva Portugal."

Marcelo foi aplaudido de pé por todas as bancadas parlamentares.

Catarina Machado