O Presidente da República classificou esta quarta-feira como uma “presidência difícil e esforçada” o semestre de Portugal à frente do Conselho Europeu e avisou que a Europa só é forte quando melhorar a vida dos cidadãos.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no final de um encontro de cerca de 45 minutos com o seu homologo búlgaro, Rumen Radev, no Palácio Presidencial, em Sófia, no arranque da visita oficial à Bulgária que se prolonga até quinta-feira.

O chefe de Estado português recordou que esta visita estava prometida “há dois anos”, quando o seu homólogo esteve em Portugal, mas a pandemia impediu que acontecesse mais cedo.

Quis o destino que coincidisse com a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Uma presidência difícil, esforçada, em plena pandemia, sobretudo em janeiro, fevereiro, março e até abril, mas durante a qual foi possível avançar na lei do clima, no digital, na transição energética, e sobretudo na questão da saúde”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou o esforço da presidência portuguesa para “ultrapassar a falta de vacinas, o atraso no fornecimento de vacinas” e também na aprovação dos mecanismos financeiros para os próximos sete anos, traduzidos nos planos nacionais de recuperação e resiliência.

Os europeus, os búlgaros, os portugueses esperam que, depois desta pandemia, haja um arranque económico e sobretudo uma saída da crise social. Que haja melhores perspetivas na educação, na formação, mas também na saúde, nos empregos, nos salários, na habitação, em tudo aquilo que é fundamental para os europeus”, disse.

E sobre este tema, o Presidente português deixou um alerta: “A Europa não é uma ideia teórica ou abstrata, a Europa só é forte se a vida dos europeus melhorar, a vida dos búlgaros melhorar, a vida dos portugueses melhorar”, alertou.

Na sua intervenção inicial, o Presidente búlgaro destacou também o simbolismo de esta visita acontecer durante a presidência portuguesa da União Europeia.

“Temos de marcar os esforços e os resultados que a presidência portuguesa atingiu na sua luta contra a pandemia, na repartição muito justa das vacinas, que foi favorável para nós”, apontou, segundo a tradução das declarações de Rumen Radev, feitas em búlgaro.

O Presidente da Bulgária deixou ainda rasgados elogios a Marcelo Rebelo de Sousa, descrevendo-o como “uma pessoa visionária” e “um dos líderes europeus mais importantes porque goza de uma autoridade extraordinária” devido aos seus conhecimentos nos temas europeus e globais.

Marcelo sublinha que Presidente da República representa "os que estão no Governo e na oposição”

O Presidente da República afirmou esta quarta-feira que o papel do chefe de Estado em Portugal é representar "os que estão no Governo e os que estão na oposição”, defendendo que deve ser “um pilar de estabilidade” na saída da crise.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no final de um encontro de cerca de 45 minutos com o seu homologo búlgaro, Rumen Radev, no Palácio Presidencial, em Sófia, e, depois de destacar que a aproximação entre dois Presidentes é também uma aproximação entre povos, deixou esta mensagem sobre o seu papel.

Porque o representante da República Portuguesa não é o representante de uma parte dos portugueses, é um representante de todos os portugueses, dos que estão no Governo e dos que estão na oposição, é um representante dos que estão em todos os partidos e dos que não têm partido”, afirmou.

Depois de um encontro de cerca de 45 minutos entre os dois Presidentes, inserido na visita oficial de Marcelo Rebelo de Sousa á Bulgária, o chefe de Estado apontou muitas semelhanças entre as democracias portuguesa e búlgara, bem como da visão que ambos têm do cargo.

“O papel do Presidente deve ser um papel de pilar da estabilidade, garantindo uma referência neste tempo pós crise, mas que é um tempo de legitimas expectativas económicas e sociais”, defendeu.

Portugal sem “nenhum preconceito” quanto a alargamentos da UE

 O Presidente da República expressou hoje que Portugal tem uma posição de princípio de “nenhum preconceito” quanto a novos alargamentos da União Europeia, com o homólogo búlgaro a considerar que este não deve um processo mecânico.

Na parte das perguntas, os dois Presidentes foram questionados sobre como veem a possibilidade de um novo alargamento da União Europeia, numa altura em que a abertura formal de negociações com a Albânia e Macedónia do Norte se encontra bloqueada pela Bulgária, devido a diferendos históricos e linguísticos, com Sófia a recusar-se a reconhecer a língua macedónia, argumentando tratar-se de um dialeto do búlgaro.

“Portugal tem uma posição de princípio genérica, que é de não ter preconceitos a alargamentos na Europa, nos próprios não fomos membros fundadores, entrámos num alargamento, depois vivemos alargamentos de dentro”, disse o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, em concreto nos Balcãs Ocidentais, Portugal reconhece ser “uma questão sensível”, mas defendeu que “não há impossíveis”.

/ RL