O Presidente da República afirmou esta quarta-feira, sem querer comentar os tempos do debate quinzenal no parlamento, que por definição gosta de "ouvir tudo e todos" e que se chegar algum pedido formal de audiência, esta será agendada.

Durante uma viagem de comboio de alta velocidade entre Roma e Bolonha, onde hoje termina a sua visita de Estado a Itália, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que não tem conhecimento de que tenha chegado ao Palácio de Belém um pedido formal de audiência por parte do Chega: "Eu não sei, eu não tenho conhecimento de pedido formal".

Questionado se gostaria de ouvir deputados de todos os partidos no debate quinzenal de hoje com o primeiro-ministro no parlamento, o chefe de Estado começou por responder: "Eu não me vou pronunciar sobre o debate, eu percebo o alcance da pergunta". Depois, afirmou: "Eu gosto sempre de ouvir tudo e todos, por definição".

O chefe de Estado ressalvou, contudo, que não terá oportunidade de ouvir o debate quinzenal e que não comenta a polémica em torno dos tempos de intervenção atribuídos aos deputados únicos dos partidos Chega, Iniciativa Liberal e Livre: "Estou no estrangeiro e não me vou pronunciar sobre isso aqui".

Interrogado, depois, se já agendou a audiência que o deputado do Chega, André Ventura, anunciou na semana passada que iria pedir ao Presidente da República, com "caráter de muita urgência", Marcelo Rebelo de Sousa realçou que irá "receber os partidos dentro de poucos dias para os ouvir sobre a matéria do Orçamento do Estado".

Havendo pedido formal sobre matéria muito urgente que se justifique de partidos para serem recebidos eu, dentro da disponibilidade de calendário, recebo-os. Quer com assento parlamentar, quer sem assento parlamentar", acrescentou.

No caso concreto do pedido de audiência anunciado pelo deputado do Chega, "havendo pedido formal, se chegar o pedido formal", então "isso será agendado oportunamente", adiantou o Presidente da República, referindo que não tem conhecimento de que isso já tenha acontecido.

Viagem de comboio a terminar em Itália

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, termina esta quarta-feira em Bolonha a sua visita de Estado a Itália, com um dia dedicado à educação, em que será distinguido pela mais antiga universidade da Europa.

O chefe de Estado vai viajar de comboio de Roma para Bolonha, depois de prestar homenagem ao soldado desconhecido, na capital italiana.

À chegada a Bolonha, terá uma audiência com o presidente da Emilia Romagna, Stefano Bonaccini, na sede desta região administrativa.

Depois, receberá o 'Sigillum Magnum' da Universidade de Bolonha, uma medalha atribuída pela instituição a personalidades desde 1888, numa cerimónia em que estará o presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, também ele formado em Direito e antigo professor universitário.

Na terça-feira, quando foi recebido por Sergio Mattarella no Palácio do Quirinal, em Roma, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu-lhe a honra da sua presença "na ida à primeira das primeiras universidades europeias, a Universidade de Bolonha", na qual considerou que irá "reencontrar o espírito académico".

Ele sabe, como eu sei, que ser-se chefe de Estado é muito importante, mas que ainda é mais importante a formação académica, aquilo que o marcou e que me marcou. Foi aí que aprendemos os princípios e os valores. Por isso, fico muito sensibilizado pela presença do Presidente Sergio Mattarella", afirmou.

Em Bolonha, os dois presidentes terão depois uma "cerimónia oficial de despedida, que simboliza o fim formal da visita de Estado", mas o programa de Marcelo Rebelo de Sousa só termina na Câmara Municipal, com "um diálogo com estudantes universitários".

Segundo uma estimativa consultar, residem atualmente em Itália cerca de sete mil portugueses, grande parte dos quais estudantes, num dos países europeus que mais acolhem alunos de outros Estados-membros da União Europeia, num total de perto de 45 mil, de acordo com o Eurostat.

Nesta deslocação a Itália, o Presidente da República está acompanhado pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, e pelos deputados à Assembleia da República Jorge Lacão, do PS, Adão Silva, do PSD, e Bruno Dias, do PCP. A deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa não pôde integrar a comitiva, à última hora, por motivos de saúde.

Esta é a sua 16.ª visita de Estado e a sua quarta deslocação a Itália como chefe de Estado, onde esteve logo no início do seu mandato, em maio de 2016, a caminho de Moçambique, tendo sido recebido na altura em Roma pelo Presidente italiano, Sergio Mattarella.

Em maio de 2018, esteve em Florença, para uma conferência sobre a Europa, e em maio deste ano participou em Nápoles numa reunião da organização empresarial Cotec Europa.

O presidente de Itália, por sua vez, efetuou uma visita de estado a Portugal em dezembro de 2017.

O chefe de Estado chegou à capital italiana na segunda-feira e esteve com representantes da comunidade portuguesa ao final desse dia, depois de inaugurar uma exposição de fotografia sobre os papas em Fátima.

O dia de terça-feira foi reservado para os contactos institucionais, com encontros com o presidente de Itália, com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 
/ AG-Atualizada às 13:06